10 de setembro de 2015

Plantando na rua: As Cidades Comestíveis

Plataforma Virtual permite que agricultores urbanos se articulem para construção de hortas na cidade e troca de conhecimentos sobre agroecologia


Por Henrique Santana
Fotos: André Zuccolo

Quem nunca sentiu falta de mais tons verdes na cidade cinza? A verdade é que, apesar da imensidão de concreto que cobre São Paulo, são muitos os espaços ociosos na cidade que poderiam virar um parque, um jardim, uma horta.

A rede dos Hortelões Urbanos nasceu em cima dessa demanda. Pessoas interessadas em cultivar seus alimentos na cidade e que buscassem um meio para se articular e conseguir apoio e informações sobre questões de agricultura. Com o passar do tempo, a comunidade cresceu e hoje já são quase 20 mil hortelões conectados no Facebook, o que aumentou o fluxo de informações no grupo.

Assim, uma nova plataforma ganhou vida, o Cidades Comestíveis. Um mapa interativo para que pessoas possam, colaborativamente, trocar recursos entre si, articular ações conjuntas e aumentar o número de hortas comunitárias na cidade.

Para acessar a plataforma, clique aqui

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“Você pode sinalizar um terreno baldio ou um espaço ocioso na cidade, pode trocar sementes ou compostos. Se você quiser ajudar a cuidar de uma horta comunitária você também coloca lá [na plataforma]”, explica André Biazoti, um dos criadores da rede.


AGROECOLOGIA NA CIDADE


Formado em agroecologia, André trabalha com educação ambiental e agricultura urbana, além de participar de movimentos com os produtores agroecológicos do estado de São Paulo.

“A cidade precisa ser reinventada. Temos que observar a cidade como um espaço de produção da vida humana. A gente tem que considerar a biodiversidade, o ambiente. A questão da agricultura urbana é você identificar, dentro do espaço urbano, locais que devem ser destinados à produção de alimentos, parques, áreas verdes”, afirma.

Foto: André Zuccolo
Horta comunitária na Ocupação Jardim da União, no extremo sul de São Paulo

Para André, além do cultivo dentro da cidade, é necessário que os consumidores passem a se relacionar também com os pequenos produtores que estão ao seu redor. “Você reduz os gastos com logísticas, você sabe quem é o agricultor, você sabe quem está produzindo. Ele está ali no seu bairro e você mantém seu dinheiro dentro do bairro. É ai que a plataforma Cidades Comentáveis vem ajudar. Ela possibilita que as pessoas que produzem na cidade gerem suas próprias sementes, possam troca-las e também trocar conhecimentos dentro da plataforma. Um espaço de troca para essas pessoas urbanas que querem entrar nesse mundo da produção de alimento”, conta.

O projeto também visa incentivar a troca e colaboração entre as pessoas, uma forma de dar autonomia ao agricultor que, muitas vezes, depende de um sistema mercantil, por exemplo, de produção de sementes e acaba ficando refém das grandes corporações. “Uma forma de resistência a um sistema que quer transformar as sementes em algo totalmente modificado para ter uma maior produtividade. Para exaltar características que são interessantes ao mercado, mas que acabam matando toda a diversidade que a gente possui no nosso país e que vem sendo dizimada de uma forma muito violenta.”

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Feira do CEAGESP na zona oeste de São Paulo

PARA A CIDADE FICAR MAIS VERDE


A plataforma Cidades Comestíveis foi feita a partir de verba de editais públicos da Prefeitura de São Paulo. A iniciativa de criação das hortas, por outro lado, é feita pelas próprias pessoas, desenvolvendo esses espaços de forma autônoma.

“É uma forma de resignificar a cidade, de ocupar a cidade, de tomar conta. Um jeito de não deixar a cidade nas mãos de grandes planejadores ou da prefeitura. A gente tem que tomar as cidades nas mãos, ser responsável pelo nosso bairro e pelas relações que a gente cria dentro dele. Temos que resignificar os espaços que estão ociosos e jogados às traças, temos que empoderar o cidadão para que ele possa tomar conta da sua cidade. Para que ele tenha uma atenção maior ao que se consome e que tipo de sistema ele alimenta quando consome determinados produtos”, conclui o agroecólogo.

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