23 de setembro de 2015

Projeto DZ9+UM=20: Cultura e linguagem de rua na zona sul


Projeto une comunidades da zona sul de São Paulo e promove aulas de skate, oficinas de graffiti, sound system, vitroladas e capoeira


Por Patricia Iglecio
Fotos: DZ9+UM=20

O projeto cultural DZ9+UM=20 tem três anos de existência e atua na defesa e valorização das culturas e linguagens de rua. O nome do projeto engloba a favela da 19 – o termo DZ9 já é utilizado pela comunidade – e a da 20, localizadas no bairro Cidade Dutra, zona sul de São Paulo. O ‘UM’ faz referencia a U de união e M de mobilização social.

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O skatista Thiago Juremeira, que encabeçou o projeto, acredita que “o aprendizado e a formação humana se estruturam no cotidiano, e são estabelecidos, principalmente, nas interações e experiências vivenciadas na rua, completando a formação familiar e escolar”.

O objetivo do DZ9+UM=20 é equipar e instruir com qualidade e segurança crianças, jovens e residentes locais para que possam desenvolver suas aptidões artísticas, musicais e esportivas, além da promoção do lazer e conscientização socioeducativa do espaço.

Juremeira explica que o projeto está inserido em um contexto de valorização da arte, da cultura, do esporte, conscientização socioambiental e de promoção ao lazer. “Realizamos atividades com conteúdo artístico, musical, expressão de rua e comunicação social por meio das oficinas de arte e grafite, escola de skate, Sound System, vitroladas, aulas de capoeira entre outros”, acrescenta

Atualmente, a iniciativa está mobilizada pela reforma da praça da pista de skate DZ9. O local foi entregue ao público há quatro anos e, desde então, muitos pontos do espaço já foram deteriorados e destruídos. “Nos reunimos para refletir meios para solicitar e reivindicar uma reforma na praça. Estamos ouvindo e colhendo opinião de diversos usuários”, pontua Thiago.

Moradores reivindicam não apenas a reforma dos pontos deteriorados, como também um replanejamento arquitetônico. Por exemplo, há um poste de luz no meio da pista, que impossibilita a transição dos skatistas e causa eventuais acidentes.

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SKATE NA QUEBRADA


Para o criador do projeto, a cena do skate na quebrada é uma mistura de “carência social e baixa infraestrutura” com um “alto potencial criativo e produtivo dos praticantes”. Embora as periferias de São Paulo sejam o berço de grandes atletas nacionais, elas sofrem com pistas de baixa qualidade em comparação a pistas de bairros nobres. Além disso, o preconceito do skatista como “figura marginal”, a falta de investimento público e o alto custo do esporte, dificultam sua prática na quebrada.

“O Projeto DZ9+UM=20 foi criado com o intuito de suprir essa carência das crianças da localidade, oferecendo skates de qualidade e instrução aos mais iniciantes”, diz Thiago.

“O skate deve ser visto com mais atenção pelo poder público. Há uma dependência muito forte dos interesses privados para o seu desenvolvimento. Neste cenário, a periferia é segundo plano, quando há plano envolvendo a periferia”

Neste sentido, o DZ9+UM=20, com o apoio do programa VAI, da Prefeitura de São Paulo, busca investir no esporte, promovendo aulas e eventos competitivos. Juremeira ressalta que o projeto não reconhece as limitações da periferia. “Reconhecemos que tudo isso não é nada super grandioso, não queremos aplausos nem muito menos fazer ‘média'”, diz.

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