27 de outubro de 2015

Feira Nacional da Reforma Agrária traz produtores do MST para São Paulo


O evento reuniu 150 mil visitantes e teve 220 toneladas de produtos vendidos


Por: Thiago Gabriel
Fotos: Thiago Gabriel

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O Parque da Água Branca, no nobre bairro paulistano de Perdizes, zona oeste, é conhecido por suas feiras de orgânicos todos os domingos, reunindo diversos moradores da região. Mas quem visitou o local, do dia 22 até o último domingo (25), pode encontrar uma feira diferente, organizada por produtores rurais de assentamentos do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra). Para espanto das senhoras de Perdizes, aquilo era realidade, a revolução do campo ocupou um tradicional espaço da elite paulistana, e agradou.

Aproximadamente 800 pessoas, entre expositores, acampados e assentados do MST, de 23 estados e do Distrito Federal, tiveram a oportunidade de vender seus produtos saudáveis, livres de agrotóxicos e a preços acessíveis para os visitantes. Além de representar uma importante fonte de renda para esses produtores, a feira foi responsável por derrubar alguns estigmas sobre os trabalhadores sem terra. Boa parte da população, que escuta diariamente comentários negativos com relação ao movimento, teve a oportunidade de conhecer as pessoas, os ideais e o resultado da organização no campo, e tirar suas próprias conclusões.

O slogan, “alimentar é um ato político”, era repetido pelos expositores e organizadores do evento, demonstrando que a produção de alimentos orgânicos, cultivados em fazendas de pequenos produtores – ao invés de grandes latifúndios -, a rejeição a monocultura e o desenvolvimento de agricultura sustentável, representam uma opção política por uma alimentação mais saudável, uma distribuição de terras mais justa, e uma natureza mais respeitada.

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O evento contou com participação de 150 mil pessoas, segundo números da direção do Parque da Água Branca, e o MST informou que 220 toneladas de produtos foram comercializados. A composição destes variava entre frutas, legumes, cachaças, café, arroz, camisetas, bonés, todos produzidos pelos próprios assentados e sem o uso de agrotóxicos.

Durante todo o fim de semana, a feira esteve lotada de curiosos, que faziam suas compras e acompanharam seminários sobre a questão da reforma agrária, e as apresentações de Pereira da Viola e Chico César, em show carregado de teor político e com participação do ex-senador Eduardo Suplicy (PT), no sábado. No domingo, foi a vez do grupo Ilú Oba de Min, com seus tambores africanos trazendo a representação das mulheres negras em cena, e Zé Geraldo. Durante a manhã, foram organizadas atividades para as crianças presentes.

Ao final dos quatro dias de feira, a reforma agrária já não parecia, aos ouvidos dos visitantes, algo tão temeroso quanto propagam os meios de comunicação. O MST já não parecia um bando de barbudos vestidos de vermelhos com rifles na mão, prontos para atacar a “população de bem”. Os alimentos comercializados provaram possuir um sabor diferenciado do que nos acostumamos a consumir nos supermercados. E o campo parecia mais próximo da cidade, em luta e em solidariedade.

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