06 de novembro de 2015

No dia da Tarifa Zero, Movimento Passe Livre volta às ruas


Em ato organizado no dia nacional de lutas contra o aumento da passagem, Movimento Passe Livre leva cerca de 500 pessoas às ruas de SP


Por Fernando Netto e Alan Felipe
Fotos: Fernando Netto

Ao som de tambores, instrumentos de sopro e das canções da Fanfarra do M.A.L. (Movimento Autônomo Libertário), militantes do MPL (Movimento Passe Livre) e outras centenas de pessoas se concentraram para o ato pela tarifa zero, em frente do Teatro Municipal, um dos cartões portais da capital paulista.

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A manifestação aconteceu no dia 29 de outubro, por volta das 17h00, dia nacional de lutas do Movimento Passe Livre. A data relembra a conquista da Revolta das Catracas, quando milhares de pessoas foram às ruas de Florianópolis e alcançaram a revogação do aumento da passagem, em 2004 e 2005; reconfigurando assim, as origens do MPL.

Alguns dos manifestantes que compunham outro ato, contra a reorganização da rede estadual de ensino do governador Geraldo Alckmin (PSDB) – que pretende fechar 94 escolas estaduais e redistribuir os alunos por ciclos –, traçaram uma rota a fim de organizar a união de ambos grupos para seguirem o curso planejado, em frente ao teatro. Contudo, logo na Barão de Itapetiniga, uma das principais vias de acesso do centro velho, a Polícia Militar, agindo de modo arbitrário, repreendeu alguns manifestantes, entre eles, estudantes secundaristas e não estudantes. “Alguns jovens foram apreendidos e levados ao 78º Departamento Policia”, conta um professor da rede estadual que preferiu não se identificar.

Outros jovens só foram liberados após pressão generalizada e palavras de ordem, reivindicando o fim da PM. Após o ocorrido, a manifestação deu continuidade, sendo “escoltada” pela Tropa de Choque, com um número consideravelmente alto de policiais. “A gente tá até brincando que tem um policial pra cada manifestante. Os ataques da PM são um dos motivos da escolha do local de concentração. O Theatro Municipal é um ponto meio icônico pra gente, porque vários atos partiram daqui e o que teve a repressão violentíssima de 2013 partiu daqui, então é um ponto que a gente gosta de lembrar”, conta Laura Viana, integrante do Movimento Passe Livre.

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As manifestações de 2013 se deram após o aumento da passagem do transporte público, de R$ 3,00 para R$ 3,20 em São Paulo, levando milhares de pessoas às ruas. Na capital, além da revogação do acréscimo da tarifa, Laura diz também que houve melhorias no sistema de transporte, como o passe estudantil e as ciclofaixas, mas que “não foi presente do prefeito Haddad. Ao mesmo tempo que elas são muito boas, já ajuda muita gente como estudante de escolas públicas, elas ainda não são suficientes”, continua.

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De 2013 para 2015, principalmente depois dos atos contra o aumento da passagem, no começo desse ano, o MPL vem fazendo mais trabalhos de base nas periferias da cidade. “No começo do ano pra cá, o que a gente tem feito bastante é militar nos bairros. Nos extremos, pra ver quais são as demandas da população dos bairros e tentar trazer gente que não seja só do centro e universidades pra militar com a gente”, conclui.

O ato seguiu tranquilamente até o seu ponto final, a Prefeitura Municipal. “Para quem reclama do trânsito e do fechamento das avenidas pelo movimento, o MPL não andou por nenhuma via movimentada”, disse Letícia Cardoso, também integrante do MPL. Ela explica que o trajeto foi alterado: “A gente ia passar pela Bovespa a priori, porque a gente acredita que tarifa zero tem que ser paga pelos ricos, mas aí a gente acabou mudando e fizemos um trajeto curto, pra juntar com a galera secundarista que somou junto com a gente no meio do ato e que estava andando há mais tempo”.

Em frente à Prefeitura, houveram intervenções. Catracas foram queimadas na rua, uma tradição nos atos do MPL, e manifestantes escreveram no asfalto uma das frases icônicas do movimento: “Tarifa Zero Pra Geral” . Letícia avaliou como positivo a atuação do MPL. “O ato foi crescendo durante o caminho, a gente conseguiu panfletar bastante, com um panfleto bem informativo, pra galera saber o que tá acontecendo. A gente teve alguns professores que aderiram ao ato, teve secundaristas que aderiram, teve trabalhador que aderiu. Teve gente que quando eu panfletei me respondeu afirmativamente, então acho que é positivo encerrar na prefeitura e colocar, bem descaradamente, que tem que ser ‘Tarifa Zero Pra Geral’, não passe estudantil com cotas, que isso não vai dar acesso a cidade”.

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Letícia ainda crítica a falta de diálogo do prefeito na questão do transporte. “O prefeito [Fernando Haddad (PT)] tem esse posicionamento de ser o prefeito moderno que investe em transporte, mas a gente precisa falar que pra investir em transporte ele necessita ouvir a população. É uma mudança radical, de baixo pra cima, e não chegar com uma licitação, não diminuindo os recursos dos empresários, deixando de pensar em melhora para o transporte público.”

O ato contou com cerca de 500 pessoas, segundo os manifestantes do MPL, e foi finalizado com um jogral convocando os presentes para se juntarem às lutas dos estudantes secundaristas.