19 de novembro de 2015

Pescadores e trabalhadores rurais protestam contra hidrelétricas no Pantanal


Da Redação
Fotos: Manuel Kayakis

Cerca de 80 pescadores, trabalhadores rurais e estudantes, conseguiriam cancelar, nesta terça-feira (17) a realização da audiência pública marcada para discutir o Estudo de Impacto Ambiental da implantação de três Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) na região matogrossense do Pantanal. As obras irão afetar o rio Juba, no município de Barra do Bugres, sudoeste do estado.

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Os manifestantes reivindicam ações mais concretas com relação aos impactos socioambientais que serão causados pela construção das barragens. Entre eles, a inundação do Assentamento Antônio Conselheiro, localizado entre Barra do Bugres e Tangará da Serra. A audiência foi remarcada para daqui 35 dias.

Ao todo, são 11 hidrelétricas previstas para o rio Juba – sendo que quatro já estão em operação – e outras 16 no rio Sepotuba, também na região, somando um total de 27 barragens. As obras impactam diretamente o meio ambiente, alterando o pulso de cheias e secas do rios, que perdem sua dinâmica natural e passam a se submeter as operações de abertura e fechamento de comportas das hidrelétricas.

A invasão de PCHs no Pantanal já afetou outras comunidades. No município de Cáceres, na região oeste do Mato Grosso, o fechamento do rio Jauru acabou com a a atividade pesqueira de centenas de ribeirinhos e pescadores tradicionais, a única fonte de sustento desses povos. O rio ficou praticamente inavegável e os peixes não conseguem migrar para a reprodução. Um desastre social e ambiental alarmante.

O Pantanal, maior planície alagável do mundo, está ameaçado por um total de 162 projetos de barragens para geração de energia hidrelétrica, previstas para a Bacia do Alto Paraguai (BAP), sendo que 44 já estão em operação e representam 56% do potencial hidrelétrico de toda a bacia.

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Segundo os manifestantes de Barra do Bugres, as obras no rio Juba causarão enormes prejuízos, secando o rio e impedindo que os peixes realizem a piracema, que é o período de reprodução. “O que se questiona é sobre quais são os benefícios que essas hidrelétricas vão trazer para os trabalhadores?”, conta um dos manifestantes.

O Ministério Público Estadual do MT está acompanhando a questão. A expectativa de moradores é de que o órgão possa tomar alguma providência com relação aos impactos sinérgicos da implantação das usinas. Segundo a Rede Pantanal de ONGs e Movimentos Sociais, “o Plano de Bacia do Alto Paraguai está em elaboração, então seria correto esperar a conclusão deste documento para podermos avaliar se a Bacia suporta mais empreendimentos como este”.


| A Vaidapé esteve recentemente na região. Em breve, lançaremos um conteúdo especial sobre as principais ameaças à integridade socioambiental do Grande Pantanal.

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