09 de novembro de 2015

Quem são as mulheres que estão morrendo no Brasil?


Em 10 anos homicídios contra mulheres negras no Brasil aumentou 54% e de brancas caiu 12%


Por Patricia Iglecio
Ilustração: Jay Viegas

De acordo com o Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o número de homicídios contra mulheres negras no país passou de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013. O de mulheres brancas, no mesmo período, caiu de 1.747 para 1.576.

O estudo revela que 50,3% das mortes violentas contra as mulheres são cometidas por familiares e 33,2% por parceiros ou ex-parceiros. O Brasil é o quinto país em que mais homicídios são cometidos contra mulheres. Segundo os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa é de 4,8 homicídios por 100 mil mulheres, em 2013. Essas mulheres tem, principalmente, de 18 a 30 anos.

Para a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, o estudo inova ao revelar a combinação “cruel e extremamente violenta” entre racismo e sexismo no Brasil. “As mulheres negras estão expostas à violência direta, que lhes vitimiza fatalmente nas relações afetivas, e indireta, àquela que atinge seus filhos e pessoas próximas. É uma realidade diária, marcada por trajetórias e situações muito duras e que elas enfrentam, na maioria das vezes, sozinhas. Os dados denunciam outra bárbara faceta do racismo e amplia a reflexão sobre os tipos de violência sofridas pelas mulheres. É urgente criar consciência pública de não tolerância ao racismo e acelerar respostas institucionais concretas em favor das mulheres negras”, considera.


Quem são as mulheres que estão morrendo no Brasil?


São meninas e mulheres negras. Em 2013 morrem assassinadas, proporcionalmente ao tamanho das respectivas populações, 66,7% mais meninas e mulheres negras do que brancas. Houve, nessa década, um aumento de 190,9% na vitimização de negras. Alguns estados chegam a limites absurdos de vitimização de mulheres negras, como Amapá, Paraíba, Pernambuco e Distrito Federal, em que os índices passam de 300%.

Em comparação com os homicídios masculinos, nos femininos há maior incidência de mortes causadas por força física, objeto cortante/penetrante ou contundente, e menor participação de arma de fogo.
A agressão perpetrada no domicílio da vítima tem maior incidência entre as mulheres do que entre os homens.
A agressão a mulheres é cometida, preferencialmente, por pessoas conhecidas da vítima; a contra os homens, por pessoas desconhecidas.
Todos esses aspectos permitem caracterizar a maior incidência da violência doméstica e familiar entre as vítimas do sexo feminino.

* Os dados são do O Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso). O lançamento da pesquisa conta com o apoio do escritório no Brasil da ONU Mulheres, da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. O documento foi lançado hoje (90), em Brasília.

A RUA GRITA

Volta Negra: a história do negro no Centro de São Paulo

Novo ciclo de caminhadas da Volta Negra começa neste sábado e tem atividades programadas para os próximos dois meses

A RUA GRITA

Últimos 3 dias para ajudar: Cora Primavera vai às ruas!

Criado pela Cia. Nada Pensativo, peça Cora Primavera aborda questões como transfobia e violência contra … Continuar lendo Últimos 3 dias para ajudar: Cora Primavera vai às ruas!