23 de novembro de 2015

Xemalami: Xadrez e hip hop na quebrada


Drezz, Diggaz e Hyt compareceram aos estúdios da Rádio Cidadã FM para falar do Xemalami, coletivo da zona sul que junta xadrez e hip hop


Por Alan Felipe
Foto em destaque: Xemalami

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O xadrez é um esporte que remete a tranquilidade e o silêncio. O hip hop lembra agitação e música. Esses dois elementos, que parecem tão opostos, se complementam no Xemalami, coletivo do Grajaú, no extremo sul de São Paulo.

Drezz, Diggaz e Hyt, todos integrantes do grupo, colaram no programa de rádio da Vaidapé na segunda-feira, 9 de novembro, e explicaram como surgiu a ideia. “A sigla Xemalami (Xeque Mate laMissión) surgiu de uma equipe de xadrez que, depois de três anos jogando e unindo pessoas que eram muito próximas do movimento hip hop, começaram a levantar a bandeira pra ser, também, um grupo de rap” conta Diggaz.

Ouça o programa completo no player:



Drezz está no coletivo desde 2002, época que o grupo surgiu. Ele conta que um dos principais projetos, o evento Xadrez sem Muros, busca alinhar a música com questões sociais e políticas. “A gente reúne os elementos do hip hop nesse evento, articulando eles com o xadrez, tá ligado? Soa inusitado e estranho a princípio, tipo: ‘Pô, como o cara vai jogar xadrez com música, com aquela turbulência toda?’ A cultura hip hop funciona muito a milhão. A movimentação é forte, tem muita gente fazendo. Mas a gente sacou o que? Que, em meio a tudo isso, você precisa pensar, tomar decisões.”

O próximo rolê organizado pelo Xemalami
O próximo rolê organizado pelo Xemalami, o Xadrez Itinerante, será no dia 13 de dezembro e terá grafitti e pocket shows

Drezz explica que essa peculiaridade chamou a atenção de outros grupos. “Colava uns punk também, os caras do hardcore, era aberto. É uma ferramenta utilizada para melhoria da convivência também. Se colocarmos um tabuleiro aqui entre a gente, vão rolar várias coisas. A gente tá jogando, está se conhecendo, fortalecendo um vínculo. E, a partir disso, surgem ideias, como pensar a elaboração de um projeto de ação. Essa é a ideia, o jogo de xadrez relacionado à vida”, diz.

“A forma como você joga reflete um pouco no que você é. Se você é ambicioso, se você é contido, se consegue conciliar essas fitas todas… E é ai que você se conhece e aprende um pouco mais sobre si”, completa.

Drezz também explica o circuito competitivo que existe dentro do xadrez. “A gente já participou de vários campeonatos, é um ambiente bem elitizado. Os caras são egocêntricos e bem excêntricos. Eles tem um ego muito forte. Esse espírito de competição no xadrez virou um negócio.”

“Você é o comandante de um exército, você têm que prestar muita atenção e mexe muito com o ego. Quando você perde dá uma chateada”, afirma. Hyt acrescenta que o trabalho do Xemalami é fazer com que o xadrez não tenha foco somente na competição. “Então, tipo assim, as pessoas perdem. Mas valeu, continua, se esforça, estuda mais.”

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Mas, se os lances iniciais do Xemalami foram feitos pelo xadrez, hoje o grupo usa muito o rap para a divulgação. Em 2005, quando o braço musical surgiu, eles lançaram um demo caseiro, “bem sujão mesmo”, feito na sala do Gor­Flow, outro grupo de rap da região. Depois, foram muitos trabalhos, como “o Peão não pode recuar” e “Zugzwang”. Além disso, foram lançados outras músicas solo e o projeto “São Vários”, que conta com a participação de diversos rappers do Grajaú.

Pra fechar o papo. O grupo falou sobre o novo álbum que está saindo do forno. Com 22 músicas inéditas, o disco está previsto para sair em 2016 e se chamará “Sudamérica, as peças pretas jogam”. No final do programa, o Xemalami mandou uma palinha ao vivo do single “E como pode?”. Por problemas técnicos não conseguimos gravar essa parte, mas você pode conferir o som no vídeo abaixo.

|  O Vaidapé na Rua é transmitido ao vivo toda segunda-feira, às 20h, pela Rádio Cidadã FM. Na região do Butantã, o público pode acompanhar o programa sintonizando 87,5 FM, e no mundo inteiro através do site da rádio.

Música, debate e Vaidapé!

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