04 de dezembro de 2015

Secretário de Educação é o primeiro a cair após pressão dos secundaristas


Mesmo com o anúncio, a tendência é que os estudantes continuem ocupando até a revogação da reorganização das escolas públicas do estado de São Paulo


Escrito colaborativamente por: Ana Beatriz Costa, Isabela Pombo e Kadu Braga
Fotos: André Zuccolo

Após a divulgação do DataFolha informando a queda de popularidade de Geraldo Alckimin, o governador tucano convocou a imprensa para anunciar a suspensão temporária da reorganização das escolas públicas estaduais de São Paulo. Durante a tarde, o secretário de Educação do Estado, Herman Voorwald, pediu ao governador para deixar o cargo. Segundo apurou a Folha de S. Paulo, o pedido veio após o anúncio da suspensão ser tomado sem o seu aval.  

Na quinta-feira (3), o Ministério Público e a Defensoria Pública do Estado de São Paulo propuseram uma ação civil pública exigindo a suspensão da “reorganização escolar”. Esse tipo de ação é um meio utilizado para controlar e contestar atos oficiais tomados pelo poder publico, tendo sido a última medida encontrada pelos órgãos estaduais após a falta de diálogo do governo.

Mesmo com a vitória parcial dos estudantes, o decreto ainda não foi revogado. De acordo com o governo, a reorganização escolar foi apenas suspensa até 2016. Se for aplicada ainda em janeiro, os estudantes estarão de férias e não poderão ser ouvidos pela sociedade. O governador ainda declarou que todos os estudantes continuarão matriculados nas mesmas escolas, o que não impede o fechamento de classes e o esvaziamento das salas.

A queda de popularidade foi acentuada após o vazamento de áudio em que o chefe de gabinete do Secretário da Educação, Fernando Pádula, afirmou que seriam usadas “táticas de guerrilha” para intimidar os secundaristas e pôr fim às ocupações.

A crescente cena de pressão a Geraldo Alckmin se deu graças à luta dos secundaristas do estado, que estão dia a dia colorindo nossas ruas com suas cores. A violência utilizada pela PM contra os estudantes expôs, por sua vez, a relação que o governador faz com grupos que protestam por demandas sociais.

Entre as prisões realizadas durante os atos, haviam três jovens maiores de 18 anos que foram processados por resistência a prisão, desacato e aliciação de menor ao crime. Todos responderão ao processo em liberdade. Segundo o delegado Jaime Pimentel Júnior, responsável pelo caso, a participação de um adolescente justificou a tipificação em outros crimes, nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente: “Os maiores têm que dar exemplo para os menores e não ensinar a praticar crime”.

Entre as diferentes formas de colaboração ao movimento, estão sendo organizados mutirões, aulas e oficinas nas escolas ocupadas. Para encontrar a mais próxima, acesse o mapa das ocupações, clicando aqui.

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