20 de dezembro de 2015

Vibrações positivas! Jah Prayers no Vaidapé na Rua


A banda de reggae Jah Prayers visitou os estúdios da Cidadã FM para apresentar suas novas faixas e conversar sobre música independente, cultura rastafari, espiritualidade e muito mais no programa de rádio Vaidapé na Rua


Por Thiago Gabriel

“Rastaman no Gueto ya’man. Muito pode ser dito. Mas a realidade é que o rastaman, quando ele tá no gueto, ele não tem problema com ninguém. Quando ele tá no gueto, ele só quer ajudar seu irmão, só quer trazer luz. Quando ele tá no gueto man, ele sabe o que ele tá fazendo. E é isso, Jah Prayers, damos graças.”

Foi assim que Ras Lobinho apresentou a música “Rastaman no Gueto”, lançada com exclusividade no programa de rádio Vaidapé na Rua. A banda de reggae roots paulistana colou nos estúdios da Cidadã FM para apresentar os trabalhos recentemente gravados e trocar uma ideia sobre a cultura rastafari, o processo musical do grupo, e muito mais.

Ouça o programa completo no player:

Lotando o estúdio no Butantã de boas vibrações, os seis integrantes da banda presentes, Jah Rica (Ricardo), Cainho, Princesa (Beatriz), Lua (Camila), Ras Geann e Ras Lobinho contaram como se conheceram e começaram a formar a banda: “Toda força ao falar dessa grande família, porque essa família iniciou sua caminhada já há um longo tempo. Mas a formação Jah Prayers faz muito pouco tempo que está junto. Porém, em espírito, irmandade, sinto que muitos milênios, gerações, universos, dimensões. Nossa caminhada juntos, como músico, vai fazer uns oito, nove meses no máximo.”, conta Jah Rica.

Muito espiritualizados, e adeptos da cultura rastafari, os integrantes aproveitaram a oportunidade para agradecer os processos que permitiram a união que originou a banda, e também para agradecerem um ao outro pela caminhada. Em uma rodada de falas, todos os presentes expressaram seu sentimento em participar do grupo.


“Foi na estrada que tudo isso começou. Foi vivendo desapegado de todas as energias do sistema. E vivendo todos os dias renascendo. Como uma cachoeira, porque a cachoeira todo dia é o mesmo lugar, mas cada dia é uma água nova que passa por ela.”

— Ras Lobinho


Abrindo o microfone para a voz feminina, Jah Rica ressaltou a presença de Princesa e Lua, as duas mulheres que fazem parte do grupo: “Nos foi agregado nessa nova formação o sagrado feminino, que na formação antiga não tinhamos. A voz feminina, o coração feminino, a força ômega a nos fortalecer.”

As cantoras falaram um pouco de suas experiências com a banda “A família Jah Prayers é aprendizado, é firmamento. Antes de tudo, a mensagem é para cada um de nós. Antes de falar para o outro, a gente fala para dentro”, conta Princesa. “Gratidão a cada irmão dessa caminhada. Aprendendo, se reconhecendo, exteriorizando, manifestando, e louvando através da música”, completa Lua.

O nome, que traduzido significa “louvadores de Jah”, surgiu com Ras Geann, que explica: “Quem fala é Jah, a gente é apenas um canal. As palavras primeiro são para nós, para que a gente possa aprender e, com isso, transmitir realmente essa mensagem de Jah para todos nós que somos da Terra hoje.”

“Na banda somos oito, na kombi cabem nove”, conta Cainho, lembrando o meio de transporte mais utilizado pela banda, a minivan apelidada de “Satta MassaKombi”, e explica o nome: “Satta é um estado de graça, de louvor, e Massagana é o todo que nos envolve. Então quando a gente tá Satta Massagana, a gente tá em total plenitude com Jah, com a criação”, pontuando que a expressão também é o nome de uma música da banda de reggae jamaicana Abyssinians.


“Antes de tudo, a mensagem é para cada um de nós. Antes de falar para o outro, a gente fala para dentro”

— Princesa


Ras Lobinho lembra que o início da banda se deu enquanto os integrantes viajavam o Brasil: “Foi na estrada que tudo isso começou. Foi vivendo desapegado de todas as energias do sistema. E vivendo todos os dias renascendo. Como uma cachoeira, porque a cachoeira todo dia é o mesmo lugar, mas cada dia é uma água nova que passa por ela.”

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Lembrando as dificuldades e o esforço que tiveram para transmitir suas mensagens através da música, Jah Rica conta: “Louvar a Jah é simples, mas ser músico é um pouco mais complicado”. Recordando o esforço da banda para se aprimorar, Ras Lobinho afirma: “Ninguém aqui tá cantando pra si, ninguém aqui tá querendo ouro, ninguém aqui tá querendo jóia. Porque a gente sabe que a maior jóia é a consciência. E a gente tá aqui pra fazer música, passar essa mensagem que vem diretamente de Jah para nós”

Ao voltarem para São Paulo montaram, dentro de um apartamento na capital, o Let’s Grow Studios. “Levantamos um estúdio na mão. Em mutirões constantes pudemos compartilhar essa construção”, afirma Cainho. Jah Rica conta que o espaço, onde a banda gravou as músicas até então, acabou de ser finalizado: “As gravações estão começando agora, a família na sua caminhada começando a levantar um pouco da verba, porque na cidade é assim, num é fácil né? Então a gente precisa trabalhar muito para trazer todos estes instrumentos, estes mecanismos de qualidade que não são baratos pra que a gente possa fazer um som de qualidade.”


“Ninguém aqui tá cantando pra si, ninguém aqui tá querendo ouro, ninguém aqui tá querendo jóia. Porque a gente sabe que a maior jóia é a consciência”

— Ras Lobinho


Ras Lobinho falou da necessidade de produzir a música de forma independente: “Construir um estúdio era o caminho. Na Babilônia são todos vampiros. Todos querem sugar o teu sangue, todos querem sugar sua vida. E a gente não podia sujeitar nossa música à essa vampirização. Então nosso movimento é independente, assim como a água que nasce das montanhas”.

Além de lançar “Rastaman no Gueto”, a banda levou os instrumentos e tocou ao vivo nos estúdios da Cidadã FM, apresentando as músicas “Só o Tempo vai Dizer” e “Conheça-te a ti Mesmo”.

Antes de se despedirem, Jah Rica externou ainda a relação da banda com a cultura rastafari: “O rastafari é um filho da terra, e como filhos nosso dever é cuidar, agradecer. A grande pergunta do rastafari pra esta vida é como podemos retribuir a tanto amor, a tanta grandeza. Então a filosofia rastafari, a religião rastafari, [o jeito] como as pessoas se chamam, independe. O que importa é o que elas compreendem, o que elas sentem, o que elas entendem no mais profundo do ser delas. Rastafari é o mais puro amor, é o mais puro respeito a esta grande criação, nada mais.”


|  O Vaidapé na Rua é transmitido ao vivo toda segunda-feira, às 20h, pela Rádio Cidadã FM. Na região do Butantã, o público pode acompanhar o programa sintonizando 87,5 FM, e no mundo inteiro através do site da rádio.

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