01 de dezembro de 2015

Você não pode ser cúmplice do que está acontecendo em São Paulo

Por Paulo Motoryn*
Foto em destaque: Mídia NINJA

Talvez você já tenha visto circular pelas redes que, em reunião com 40 dirigentes de ensino, o governo Alckmim anunciou que o decreto da “reorganização” sairia na terça-feira e lançou estratégia para, segundo suas palavras, “isolar” e “desmoralizar” as escolas em luta. O áudio foi revelado pela Laura Capriglione e pode ser ouvido na íntegra nos Jornalistas Livres.

Realmente, na manhã desta terça (01), lá estava o Decreto no Diário Oficial. Mas a treta vai além. No mesmo dia, homens encapuzados entraram em uma escola em Sorocaba e acabaram com a ocupação. Em Perus, alunos foram agredidos e detidos pela Polícia Militar. Policiais usaram arma ao falar com alunas em outro colégio.

Em vários registros de páginas que reportam as ocupações, o comportamento da PM começa a se mostrar cada vez mais agressivo. Lá no O Mal Educado, no Não fechem minha escola e em vários outros canais dá para acompanhar a escalada de abusos, principalmente em escolas mais distantes do centro.

Alckmin acionou seu braço armado. Preparada para matar, sua corporação é uma aberração estatística no quesito letalidade e tem evidente seletividade racista. E são esses policiais, que batem recordes em assassinatos de jovens, que farão a mediação com o movimento de secundaristas. Diálogo? Nunca existiu para além de ameaças e intimidações.

O foda é que Geraldinho não dá ponto sem nó. Como fez em junho, como fez nas diversas greves de professores e trabalhadores organizados em todos esses anos, ele aciona seus maiores testas de ferro: os grandes veículos de comunicação de São Paulo.

A relação do governador com com a mídia é peculiar. Desde que, com a morte de Mário Covas, Alckmin surgiu, já na cadeira de governador no cenário político estadual, nada o atinge. Todas as suas decisões são reportadas como se tivessem um caráter estritamente técnico, e nunca político.

As medidas mais cruéis são transformadas em manchetes inquestionáveis à primeira vista. “Alckmin reorganiza escolas”, “Alckmin organiza seu plano de contingenciamento para a crise hídrica”, “Alckmin vai apurar casos de violência da PM”.

Porém, essa objetividade técnica do governo Alckmin é uma grande cortina de fumaça para esconder uma das gestões mais sacanas que um estado poderia ter: fechamento de escolas e redução de verbas para educação; bairros e comunidades inteiras sofrendo com falta de água; negligência com uma polícia assassina e um cenário de aumento de chacinas; isso só para pegar três temas.

A verdade é que desde o início do movimento secundarista os grandes veículos de comunicação passam vergonha, ao ponto de um grande portal alterar oito vezes sua manchete tentando amenizar o fechamento arbitrário de 93 unidades de ensino promovido por Alckmin. Mesmo assim, podem ter certeza, essa semana será uma batalha ainda maior.

Uma coisa é certa: todos os grandes veículos de comunicação estão escalados para cumprir um interesse específico: acabar com as ocupações sem que a imagem do possível presidenciável de 2018 sofra nem sequer um arranhãozinho.

Afinal, como os Barões da Mídia poderiam garantir inexplicáveis assinaturas de VEJA em centenas de escolas estaduais, além de diversos outros agrados, para todos os principais conglomerados de mídia? É essa relação nojenta, de blindagem e agrados, que se constrói o principal da alicerce da estratégia do governo Alckmin.

Sim, uma imprensa nojenta pode transformar um governador que mata como nunca, acaba com a água e fecha escola em um gestor íntegro e eficiente. Eficiente para quem não aceitou o fim da escravidão. Tamo de olho!

Toda força aos estudantes de luta!

*Publicado originalmente em seu perfil do Facebook

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