28 de janeiro de 2016

Marcas da repressão


Enquanto o Sexto Ato Contra o Aumento da Tarifa em São Paulo acontecia no centro da cidade, um grupo de manifestantes se reuniu para travar a Av. Paulista e expôr as marcas da violência do Estado na repressão às manifestações de rua. A Vaidapé coletou depoimentos de quatro pessoas e preparou um ensaio de fotos da intervenção


Fotos: Murilo Salazar e Marina Wang
Relatos de: Ibu Helena, Mayara Vivian, Sofia Motta e Sérgio Silva

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| “Nós fizemos a intervenção artística na Paulista contra todo o aparato repressivo que o Estado tem usado para reprimir a gente há 6 atos. Fizemos esta ação para mostrar que mesmo com os machucados no corpo e na mente, estamos e continuamos nas ruas e só sairemos dela quando barrarmos o aumento.”

— Ibu Helena | Fanfarra do M.A.L


|  “No dia 26/01, simultaneamente ao sexto grande ato contra o aumento das tarifas, dezenas de pessoas se juntaram para realizar um travamento na avenida Paulista.

Durante toda esta jornada de lutas que abriu 2016, a repressão se intensificou em bombas e covardias, reproduzindo de forma cada vez mais fria e refinada o massacre que usualmente perpetua contra as diferentes lutas que ameaçam os privilégios dos de cima: seja na luta contra o fechamento das escolas, por mais moradias sociais ou pela tarifa zero.

Enquanto milhares resistiam ao clima de terror instaurado pela PM, um outro grupo de pessoas se reuniram para pautar a extrema violência da repressão e o absurdo em se condenar alguém que quebra uma vidraça de banco, quando se naturaliza a ação daquele que quebra um ser humano.

A ação foi realizada por diversos manifestantes feridos durante esta e outras jornadas, e consistiu num trancamento em silêncio. Esse silêncio era cortado pontualmente por jograis: bala de borracha no olho dos outros é refresco.

A mensagem foi clara: não vão nos deter com bombas, não vamos sair das ruas!”

Violência é ter tarifa.
Vândalo é o Estado.
Terrorista é a polícia.”

— Mayara Vivian e Sofia Motta | Militantes do MPL

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| “Diante qual destino estamos próximos, se ainda temos que nos fantasiar afim de exigir o mínimo dos direitos garantidos em constituição?

Faixa de protesto, tapa-olho e gases ortopédicas manchadas de vermelho decoram o cenário surreal. Enquanto as marcas da violência, tatuadas em nossa pele, fazem o nosso mundo real.

Somos vítimas da revolução, ao mesmo tempo, voz da contestação. Se a tua escolha são as armas que atiram e ferem nossos corpos, usaremos escudos baseados em gestos e palavras. Quando nossa voz for ainda maior, sua saída será dar no pé.

Não toleramos a repressão!

Nosso direito à livre manifestação pacífica deve ser respeitado pelo Estado. Quantos corpos terão que ser marcados por suas bombas e balas de borracha? Quantos traumas teremos que enfrentar por querermos, legitimamente, o respeito ao nosso modo de nos expressar?

Basta! Nossos corpos já carregam suas marcas, seja no centro ou nas periferias de todo o país. Inclusive, é lá que vocês deixam as lágrimas com maior tristeza escorrer.

Violenta é a sua política de repressão.
Violência é a sua voz que não nos representa.
Pelo direito à livre manifestação.
Queremos o fim da sua repressão!

Performance protesto contra a repressão.
26/01/2016

— Sérgio Silva | Fotógrafo*

*Sérgio perdeu um olho após ser atingido por uma bala de borracha disparada pela polícia em junho de 2013

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