22 de janeiro de 2016

24 segundos, 16 bombas e 33 feridos


Quinto ato contra o aumento da tarifa do transporte público em SP é marcado por repressão policial


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Por Henrique Santana
Fotos: Murilo Salazar

Em curtos 24 segundos, 16 bombos caíam sobre a cabeça dos manifestantes e o quinto ato contra o aumento da tarifa do transporte público, convocado pelo Movimento Passe Livre (MPL), tinha seu fim decretado. O protesto, que se concentrou nesta quinta-feira (22) no Terminal Parque Dom Pedro, seguia em direção à Câmara Municipal de São Paulo, quando foi bloqueado pela Polícia Militar, na região da Praça da República. Logo, a chuva de bombas começou.

Os números assustam. Segundo o MPL, foram ao menos 17 pessoas feridas gravemente. O Grupo de Apoio ao Protesto Popular (GAPP) disse ter socorrido outros 16 manifestantes, atingidos por estilhaços de bomba, spray de pimenta, balas de borracha e golpes de cassetete. Nove pessoas foram detidas e liberadas mais tarde.


SEM ACORDO


A ação da PM fez ruir o acordo traçado entre o Passe Livre e a Secretária de Segurança Pública do Estado. Após a repressão policial aos protestos atingir seu apogeu no segundo ato convocado pelo movimento, ambos os lados recuaram. O MPL passou a divulgar com antecedência o trajeto das manifestações e as ofensivas policiais cessaram nos últimos dois protestos – ainda assim, com alguns focos isolados de violência.

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Nessa quinta-feira, no entanto, a Secretária da Segurança Pública de Geraldo Alckmin (PSDB) emitiu nota afirmando que o movimento não poderia prosseguir pela rota. A justificativa era de que outro protesto, organizado por perueiros da rede pública de ensino, iria coincidir com o trajeto.

Integrantes do Passe Livre levaram a questão para uma assembleia e os manifestantes optaram por manter o itinerário original, que terminaria na Assembleia Legislativa do Estado (ALESP). Pouco antes do ato sair, Luize Tavares, integrante do movimento, já fazia a previsão: “A polícia não aceitou o trajeto, não tem diálogo, eles estão irredutíveis”.

Não deu outra. Às 21h10, quando o protesto chegou na Praça da República, a PM afirmou que o ato não poderia seguir em frente e formou cordões de bloqueio que encurralaram os manifestantes. Apenas 20 minutos depois, a polícia já dava seu primeiro disparo.

A estação República do metrô ficou fechada durante toda a manifestação, só permitindo o desembarque de passageiros. Os portões foram abertos por volta das 22h.

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DISNEY


Algumas horas antes do protesto o prefeito Fernando Haddadd (PT) debochava das reivindicações pela tarifa zero, durante agenda pública em Santo Amaro, na zona sul. “Tem tanta coisa que poderia vir na frente. Podia dar almoço grátis, jantar grátis, ida para a Disney grátis”, disse, bem humorado, enquanto os presentes escutavam rindo.

Nas vésperas da eleição, inspirado, Haddad ainda completou: “Eles querem passe livre para todo mundo. Então é melhor eleger um mágico em outubro”.


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