24 de janeiro de 2016

Helião revela detalhes do início da carreira de Sabotage


13 anos sem o Maestro do Canão: Helião, do RZO, relembra o início da carreira de Sabotage


Por Iuri Salles
Vídeo: Sujão

Depois de 13 anos sem o maestro do Canão, a Vaidapé trocou uma ideia com o rapper Helião, do grupo RZO, que relembra como era a convivência, as dificuldades e os desafios do início da carreira de Mauro Mateus do Santos, o Sabotage.


INÍCIO DA CENA


Helião, Sabotage, Sandrão e David do Gueto, se apresentam durante festival de rap em uma casa de show na Cardeal Arcoverde – Foto: Alexandre De Maio

“Foi o Sandrão e o Rappin Hood que levaram ele na minha laje. O som dele era todo Racionais, era bem igual, ele tentava até distorcer a voz para ficar parecido com o [Mano] Brown mesmo,” relata Helião.

Conforme foi ganhando experiência, Sabotage desenvolvou o seu próprio estilo, frequentando uma das maiores escolas de rap no Brasil: a laje da casa do Helião. Lá, começou a estudar e pesquisar influências nacionais e internacionais do rap. “Ele chegava em casa cedo e a gente fumava um baseado, subia pra laje, escutava umas músicas, Ice Cube, Dr. Dre, essas paradas, e a gente estudava junto”, conta Helião.


IMPORTÂNCIA DOS RACIONAIS MC’S


A presença de Brown, Blue, Kl Jay e Edi Rock foi marcante no caminho percorrido por Sabotage. Se, no primeiro momento, o grupo serviu como a principal inspiração do músico, anos depois, foram também responsáveis pelo custeio de toda produção do primeiro álbum do maestro do Canão.

Em uma conversa entre os integrantes do RZO, Racionais e o próprio Sabotage, Helião conta que a intenção era gravar o “Todos são manos – volume II”, dando continuidade ao grande sucesso do álbum lançado pelo RZO na época. Mas Helião logo se opôs: “Vamos fazer o Sabotage 1. ‘Rap é Compromisso’ tá fazendo sucesso nos shows. O cara tá pronto para gravar um disco também. Ele tá no veneno, morando num barraco de dois cômodos, sem janela”.

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Convencidos de que era o momento de Sabotage decolar, os Racionais MC’s se encarregaram de pagar toda a produção. Antes da realização do trabalho, o grupo deixou tudo acertado com os produtores Daniel Ganjaman, Zé Gonzales (Zegon) e Terjo, outros grandes nomes do rap nacional.


DIFICULDADES


A caminhada do Sabotage foi feita a duras penas. Morando na beira de um córrego dentro de um barraco apertado, o carisma era a ferramenta de locomoção pela cidade. Helião conta que o rapper colava para laje igual um menino que vai para escola, com um caderno em baixo do braço e uma caneta enfiada na espiral. “Ele levou o bagulho a sério”, comenta.


“Na minha caminhada eu trombava vários cobrador de ônibus que me falavam: ‘Eu peguei o Sabotage na Vila Mariana, ele falou pra mim que ia na sua casa e se eu não deixava ele passar por baixo. E eu deixava ele passar por baixo da catraca'”

— Helião, do RZO


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Essa reportagem é uma homenagem da Vaidapé à Mauro Mateus dos Santos (São Paulo, 3 de abril de 1973 — São Paulo, 24 de janeiro de 2003), que influencia, até hoje, os que ainda acreditam no poder de transformação do rap nacional

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