15 de fevereiro de 2016

O que é o rap? Assista a entrevista completa com Helião, do RZO

Em episódio especial da série “O que é o rap?”, a Vaidapé trocou ideia com uma lenda viva que está há três décadas na cena do rap nacional: Helião, do RZO.


Por Iuri Salles
Fotos e video: João Miranda

Um dos maiores nomes do rap nacional, Helião conta detalhes inéditos sobre os bastidores da carreira do RZO (Rapazeada da Zona Oeste), falando sobre a ajuda dos Racionais MC’s na trajetória do grupo, a ida à televisão, a nova geração do rap e muito mais. A entrevista é um episódio especial da série “O que é o rap?” da Vaidapé.

Como um dos grupos mais antigos de rap no Brasil, as referências do Helião são, de fato, a raiz do movimento. “Em 1981, 1982 eu vi a música Melô do Bastião, que era cantada por Pepeu, Mike e DJ Bacana. Foi aí que eu vi o rap nacional pela primeira vez e já me identifiquei. Eu vi uma facilidade de entrar na música pelo rap, porque não precisava de músico, de banda. Era só ir na rua 24 de maio comprar os discos instrumentais”, conta.


“Eu vi uma facilidade de entrar na música pelo rap, porque não precisava de músico, de banda. Era só ir na rua 24 de maio comprar os discos instrumentais”


O rapper compara a criminalização do funk com o que aconteceu com o samba, há décadas atrás. Para ele, todas as representações culturais oriundas dos guetos sofrem a mesma tentativa de repressão, discriminadas e vistas como uma má influência para a sociedade.


PRIMEIROS PASSOS


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Ainda sobre o início da carreira, Helião relembra a importância de outros grandes nomes do rap para a caminhada do RZO. Os Racionais MCs, por exemplo, já estavam se estabelecendo profissionalmente e ganhando algum dinheiro. Apesar da falta de investimento, mas preocupados em manter a cena forte, o grupo financiou a gravação do primeiro álbum do RZO.

Outro nome central para o reconhecimento do RZO foi o grupo Consciência Humana. Helião conta que alguns contratantes de eventos “batiam sujeira” com eles, dizendo que o grupo não iria tocar no show. “Mas os caras do Consciência Humana falavam que, se o RZO não cantasse, eles também não iam cantar”. Como o grupo era a grande atração da noite, ficou inviável para os contratantes não permitir que o RZO subisse ao palco.

“Você era testado a todo momento. Você era testado pela polícia: ‘Como assim você fazendo show? Como assim você fazendo dinheiro?’ Os cara não concordavam com isso aí. Era um lance de inveja mesmo, os caras não queriam ver o nosso crescimento”, relembra Helião.


“Demorou pra gente ser aceito, porque os caras aceitavam o que já tinha. Está acontecendo a mesma coisa com esses moleques, mas eles são trabalhadores, eles estão fechados”


Helião conta que muitos amigos que iam juntos ao show eram presos antes do som rolar, o que deixava o clima tenso, dentro e fora do palco. Segundo ele, antigamente havia um clima de “treta” com polícia, mas hoje tudo se resolve melhor na conversa.

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Quando o assunto é a nova geração do rap nacional, Helião compara o momento que eles vivem hoje ao que RZO passou.

“Demorou pra gente ser aceito, porque os caras aceitavam o que já tinha. Está acontecendo a mesma coisa com esses moleques, mas eles são trabalhadores, eles estão fechados, tem o time deles. Isso eles vão superar com trabalho. Já está acontecendo.”

ASSISTA A PARTE 2


RAP NA TV


Com posicionamento firme, Helião não acredita que esteja traindo o movimento ao comparecer em programas de tevê de grandes emissoras. “Playboy não assiste a Rede Globo. O público da Rede Globo é periférico e favelado”, afirma


“Acho que o maior guerreiro é o que luta no campo inimigo, não o que faz fortaleza de quebrada e fica esperando vir, tá ligado?”


Assim como Nocivo Shomon já havia afirmado em entrevista à Vaidapé, a resposta de Helião foi direta: “A gente não vai para jogar bolo um na cara do outro. Mas, se for pra cantar ao vivo, a gente vai, porque é isso que a gente faz”, concluiu.

“Acho que o maior guerreiro é o que luta no campo inimigo, não o que faz fortaleza de quebrada e fica esperando vir, tá ligado?”

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Assista também a série de vídeos com curiosidades inéditas, em que a lenda do RZO relembra detalhes do início da carreira de Sabotage, rebate críticas feitas ao Mano Brown e muito mais. É só rodar no player abaixo:

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