09 de março de 2016

Polarização partidária divide marcha do 8 de Março


Militantes ligados ao PT interrompem fala de Sílvia Ferraro (PSTU) e forçam sua saída do carro de som


Por Patricia Iglecio
Fotos: André Zuccolo, Lucas Crispim e Marina Wang

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No dia Internacional De Luta das Mulheres, 8 de março, diversos movimentos se reuniram para protestar no MASP, em São Paulo. Bandeiras de movimentos feministas, partidos e centrais sindicais estiveram presentes no ato, que contou com a presença de aproximadamente 5 mil pessoas.

Logo na concentração da manifestação, por volta das 17h, o ato foi rachado em dois. Movimentos ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT), como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a União da Juventude Socialista (UJS) , entraram em confronto com militantes do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU).

Silvia Ferraro, militante do PSTU e da coordenação nacional do Movimento Mulheres em Luta (MML), subiu no carro de som antes que a marcha seguisse, manifestando-se a favor dos direitos das mulheres e contra o governo federal. Alguns militantes de movimentos ligados ao PT impediram que ela seguisse a fala e a expulsaram, a força, do carro de som.

Militantes pró-governo, incluindo até mesmo homens, cercaram a saída do carro de som, e tentaram agredi-la junto com outras companheiras. Com isso, a marcha do dia 8 de março foi divida em duas frentes. Em uma, cerca de 3 mil pessoas com bandeiras petistas. Na outra, movimentos do PSOL, do PSTU e mulheres autônomas, que totalizaram 2 mil manifestantes.

“Infelizmente nós vimos o dia 8 de março sendo sequestrado pelos governistas. Essas organizações petistas não vieram defender os direitos das mulheres, e sim o ex-presidente Lula e o governo Dilma. Isso nós não pudemos aceitar, e quando falamos no carro de som o que acreditamos sobre os direitos das mulheres, fomos escoltadas  por militantes do PT e do PCdoB, que nos ameaçaram e queriam nos agredir”, afirma Silvia.

Em nota, a União da Juventude Socialista (UJS) disse que “não participou das agressões contra as militantes do Bloco de Esquerda”, afirmou que repudia “toda e qualquer forma de violência contra as mulheres”, e completou que luta “pela construção de espaços seguros e propícios para a militância feminina”.

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OUTRAS VISÕES

“Eu não vou ficar calada enquanto sou violentada. Chão, chão, chão contra o machismo e o patrão! Chão, chão, chão machistas não passarão!”

Apesar da intolerância política e dos confrontos, os gritos de guerra que as mulheres cantaram e dançaram na marcha denunciaram o machismo e a violência contra a mulher. É o caso de Audrey, do bloco Lésbicas Bissexuais e Trans (LBT), que marchava no oito de março contra a misoginia e a violência contra as mulheres. “Principalmente contra a violência que sofrem as mulheres negras da comunidade lésbicas e trans”, diz.

“Tenho que ser depilada? Não não, não sou obrigada!”

Audrey ressalta que “não fomos com o bloco governista, até porque o governo não olha para as mulheres trabalhadoras”.

Marinalva, da Ocupação Boa Esperança, em Osasco, afirma que “todo dia é dia das mulheres trabalhadoras e pobres que lutam por moradia”. Junto com ela, outras 60 mulheres da ocupação foram marchar na paulista.

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Já Rosana caminhava independente de movimentos. “Sou pobre e estou lutando pelos direitos das mulheres. Eu tenho orgulho de ser mulher porque sou guerreira, lutadora, mãe de família. Ser mulher é orgulho, é vitória, conseguir vencer. Vamos lutar e vamos vencer, sem ser dominadas, nem pelo marido.”

Tássia, do Movimento das Futuras Parteiras (MFP), reivindica a liberdade do corpo da mulher, a legalização do aborto e os direitos das “sapatas”.

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