01 de março de 2016

Não cortarei minha raiz

Gabriel Roemer

Não cortarei minha raiz.

Meu cabelo é bonito
Forte, pra cima e resistente como um grito
Traz a força do mito, da criação
O ser que domina o reino do leão
A coroa sobre a mente do Rei
Sei, emblema de minha raiz
África, minha matriz
Escravidão, nossa cicatriz
Racismo, sua herança
Privilegiados desde crianças
E a nossa? E as nossas?
Bem diferentes das vossas
Condenados a sombra
Igual a noite, nossa cor te assombra
Desde pequenos, aprendemos a ser menos
Quando criança, não somos negros, somos “morenos”
Se com seus filhos estudamos e andamos
Mas se não, somos neguinhos e marginais
Racismo e hipocrisia, pra vocês são coisas normais
Me querem de cabelo raspado
Acham que escondendo minha natureza vai apagar nosso passado
Mas relaxa, seu ouro não vai ser roubado
Minha alforria já foi conquistada
Mas nossa liberdade ainda é muito negada
E nossa herança vai ser recuperada
Mãe África já foi muito roubada
E irá resistir a cada luta, nunca será derrotada
Pelo destino vai ser recompensada
Aquecimento global
O branco criou seu mal
E o único continente seguro vai ser o ancestral
Não importa a condição social
Nossa vida é mais difícil e “todo mundo” acha normal
Pois pra vocês, na nossa pele está o nosso mal
Menos no carnaval
Imagem do negro a venda, banal
Propaganda em todo canal
Bunda rebolando, gringo explorando
De preto, branco se pintando
Pessoas pelas ruas, tiner baforando
E a maldade só se aprofunda
Em zoológicos humanos, nossas mulheres expostas pelo tamanho da bunda
Chamados de macacos, já fomos queimados, escravizados
apedrejados, espancados e enforcados
Só por não aceitar o lugar onde devíamos ficar sentados
Agora querem nos culpar por querer o mundo
Nosso sonho é tão gigante quanto profundo
Por isso, minha cabeça não se abaixa em nenhum segundo.

#Poema Pedro Alves
#Ilustra Gabriel Roemer

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