23 de março de 2016

Periferias lançam manifesto pela democracia e contra o golpe


Movimentos lançam nessa quinta-feira (24) campanha #Periferiascontraogolpe – Por uma Real Democracia


Via Periferia em Movimento

Nessa quinta-feira, 24 de março, coletivos, ativistas e moradores das periferias de São Paulo se reúnem para lançar a campanha #PeriferiasContraoGolpe. O Manifesto do grupo, que reúne mais de 600 pessoas, foi publicado na última segunda-feira (21). O encontro será no o Sarau do Binho, no Taboão da Serra, às 21 horas.

O #PeriferiasContraOGolpe é um alerta ao povo sobre os perigos do cenário político atual, com o objetivo de impedir o crescimento da intolerância fascista que se percebe nas quebradas. Segundo nota publicada pelo grupo, a campanha entende que o Estado já priva as periferias diariamente de seus direitos.

A campanha não tem cunho partidário, e aponta assim como o avanço fascista e a responsabilidade da mídia tradicional na ameaça de Golpe de Estado, as contradições do governo petista, que “nos concedeu migalhas enquanto se aliou com quem nos explora”. Mas não admite o território de ódio que se formou no país contra um governo legitimado em eleição.

#PeriferiasContraoGolpe é um movimento de mais de 600 pessoas e coletivos, o texto já foi assinado por mais de 100 pessoas. A campanha tem representante específico e está aberta a questionamentos.


LEIA O MANIFESTO COMPLETO


“Periferias, vielas, cortiços… Você deve estar pensando o que você tem a ver com isso”

Nós, moradoras e moradoras das periferias, que nunca dormimos enquanto o gigante acordava, estamos aqui pra mandar um salve bem sonoro aos fascistas: somos contra mais um golpe que está em curso e que nos atinge diretamente!

Nós, que não defendemos e continuamos apontando as contradições do governo petista, que nos concedeu apenas migalhas enquanto se aliou com quem nos explora. Nós, que também nos negamos a caminhar lado a lado de quem representa a Casa Grande.

Nós, periféricas e periféricos, que estamos na luta não é de hoje. Nós, que somos descendentes de Dandara e Zumbi, sobreviventes do massacre de nossos antepassados negros e indígenas, filhas e filhos do Nordeste, das mãos que construíram as grandes metrópoles e criaram os filhos dos senhores.

Nós, que estamos à margem da margem dos direitos sociais: educação, moradia, cultura, saúde.

Nós, que integramos movimentos sociais antes mesmo do nascimento de qualquer partido político na luta pelo básico: luz instalada, água encanada, rua asfaltada e criança matriculada na escola.

Nós, que enchemos laje em mutirão pra garantir nosso teto e conquistar um pedaço de chão, sem acesso à terra tomada por latifundiários e especuladores, que impedem nosso direito à moradia e destroem o meio ambiente e recursos naturais com objetivo de lucro.

Nós, que sacolejamos por três, quatro horas por dia, espremidos no vagão, busão, lotação, enfrentando grandes distâncias entre nossas casas aos centros econômicos, aos centros de lazer, aos centros do mundo.

Nós, que resistimos a cada dia com a arte da gambiarra – criatividade e solidariedade. Nós, que fazemos teatro na represa, cinema na garagem e poesia no ponto de ônibus.

Nós, que adoecemos e padecemos nos prontos-socorros e hospitais sem maca, médico, nem remédio.

Nós, que fortalecemos nossa fé em dias melhores com os irmãos na missa, no culto, no terreiro, com ou sem deus no coração, coerentes na nossa caminhança.

Nós, domésticas, agora com carteira assinada. Nós, camelôs e marreteiros, que trabalhamos sol a sol para tirar nosso sustento. Nós, trabalhadoras e trabalhadores, que continuamos com os mais baixos salários e sentimos na pele a crise econômica, o desemprego e a inflação.

Nós, que entramos nas universidades nos últimos anos, com pé na porta, cabeça erguida, orgulho no peito e perspectivas no horizonte.

Nós, que ocupamos nossas escolas sem merenda nem estrutura para ensinar e aprender. Nós, professoras e professores, que acreditamos na educação pública e não nos calamos e falamos sim de gênero, sexualidade, história africana e história indígena – ainda que tentem nos impedir.

Nós, que somos apontados como problema da sociedade, presas e presos aos 18, 16, 12 anos, como querem os deputados.

Nós, cujos direitos continuam sendo violados pelo Estado, levamos tapa do bandeirante fardado, condenados sem ser julgados, encarcerados, esquecidos, quando não assassinados – e ainda dizem: “menos um bandido”.

Nós, mulheres pretas da mais barata carne do mercado, que sofremos a violência doméstica, trabalhista, obstétrica e judicial, e choramos por filhos e filhas tombados pelo agente do Estado.

Nós, gays, lésbicas, bissexuais, travestis, homens e mulheres trans, que enfrentamos a a violência e invisibilidade, e não aceitamos que nos coloquem de volta no armário.

Nós, que não aceitamos nossa história contada por uma mídia que não nos representa e lutamos pelo direito à comunicação. Nós, que estamos construindo, com nossa voz, as próprias narrativas: poesia falada, cantada, escrita.

Nós, que sempre estivemos nas ruas, nas redes, nas Câmaras, na cola dos politiqueiros de plantão e que agora somos taxados de terroristas por causa de nossas lutas. Nós, que aprendemos a fazer até leis para continuar lutando por nossos direitos. Nós, que garantimos a duras penas o mínimo de escuta em espaços de poder, não aceitamos dar nem um passo atrás.

Nós, que somos de várias periferias, nos manifestamos contra o golpe contra o atual governo federal promovido por políticos conservadores, empresários sem compromisso com o povo e uma mídia manipuladora.

Não compactuamos com quem vai às ruas de camisa amarela com um discurso de ódio, fascista, argumentando o justo “combate à corrupção” mas motivado por interesses privados. Não compactuamos com quem defende a quebra da legalidade para beneficiar a parcela abonada da população, em troca do enfraquecimento do Estado Democrático de Direito pelo qual nós dos movimentos sociais periféricos lutamos ontem, hoje e continuaremos lutando amanhã.

Nós, que sabemos que a democracia real será efetiva apenas com a ampliação de direitos e conquistas de nosso povo preto, periférico e pobre, a partir da esquerda e de baixo pra cima.

Nós, que conquistamos só uma parte do que sonhamos e temos direito, não admitimos retrocesso. Reivindicar o respeito à soberania das urnas e a manutenção do Estado Democrático de Direito. Reivindicamos as ruas enquanto espaço de diálogo, debate e fazer político, mas nunca como território do ódio. Reivindicamos nossa liberdade de expressão, seja ela ideológica, política ou religiosa. Reivindicamos a desmilitarização das polícias, da política e da vida social. Reivindicamos o avanço das políticas públicas, dos direitos civis e sociais.

Não vai ter golpe. Não vai ter luto. Haverá luta!

Assinam este manifesto os grupos, coletivos, organizações e movimentos da sociedade civil:

A Melhor da Cidade Cia Teatral
A.L.M.A. Associação de Luta por Moradia de Americanopolis
Abayomi Ateliê
Ação Educativa
Afro Hooligans
AfroeducAÇÃO
Agência Mural de Jornalismo das Periferias
Agencia Popular Solano Trindade
Agenda Preta
AGENDES Agencia de Desenvolvimento Social
Aláfia
Algodão de Fogo, Ninguém Lê e Sessão de Fatos
Aliança Negra Posse
Anomia Coletivo
As 10 Graças de Palhaçaria
Assoc. Moradores Vale dos Canudos
Associação Coletivo Cinemateus
Associação Comunitária de Ação Social do Bairro Tupi ASCOMASBT
Associação Cultural CONPOEMA
Associação Cultural Fábrica de Cinema
Associação cultural História em Construção
Associação Cultural Literatura no Brasil
Associação de Arte e Cultura Periferia Invisível
Associação de povos e comunidades Tradicionais de matrizes africanas e Afro brasileira Katina da Silva
Associação dos Moradores do Caranguejo
Associação dos Moradores do Jardim Casa Branca e Adjascências
Associação Esportiva Araguaia
Associação Franciscana DDFP
Associação Participe de Comunicação Social
Associação Ritmo Urbano e Arte – ARUA
Associação Sou Andreense
Ateliê Azu
atelier mata adentro
Audácia – Q.I. Alforria
Baciada das Mulheres do Juquery
Banco Comunitário União Sampaio
Baobá Arte e Educação
BIBLIOTECA CAROLINA MARIA DE JESUS
Bloco do Beco
Bloco Saci da Bixiga
Blog Combate Racismo Ambiental
Blog do Ivanovitch 2
Blog Inspiração Sustentável
Blog NegroBelchior
Bocada Forte
Brava Companhia
Brechoteca Biblioteca Popular
Brigadas Populares
Cagebê
Cais – Cultura, Arte e interação Social
Casa Dharma
Casa do Menor Trabalhador-RJ
Casa Popular de Cultura de M’Boi Mirim
CCB – Centro Cezar Baiano de Cultura e Educação Popular
Cia Brasílica
Cia Humbalada
Cia Humbalada de Teatro
Cia Janela do Coletivo
Cia Teatral Língua de Trapo – Ponto de Cultura
CicloZN
Cidadão em geral
Cidade Hip Hop
CineBecos
Claudias,Eu?Negra!
Coleta Filmes
Coletivo ABAYOMI ABA
Coletivo ArteFato
Coletivo Brincantes Urbanos
Coletivo Cafuzas
Coletivo Canal Motoboy
Coletivo Candeia
COLETIVO CRONOTOPO
Coletivo Cultural Estado de Poesia
Coletivo Cultural Marginaliaria
Coletivo Cultural Pic Favela
Coletivo Cultural Sankofa
Coletivo de Comunicação Desenrola E Não Me Enrola
Coletivo de fotógrafos Lente Quente/Jornalismo UEPG
Coletivo de Negras e Negros EACH
Coletivo Dente de Leão
Coletivo Eletro Tintas
Coletivo em Silêncio, Reage Artista
Coletivo Encontro de Utopias
Coletivo FABCINE
Coletivo Feminista Baré
Coletivo Juventude Ativa
Coletivo Levante Mulher
Coletivo literario Sarau Elo da Corrente
Coletivo Maloqueria Fortaleza
Coletivo Mjiba
Coletivo Modtrip
Coletivo MOJUBÁ -Minha Ancestralidade te incomoda?
Coletivo Muros que Gritam…
Coletivo Perifatividade
Coletivo Pretas Peri
Coletivo R.U.A.
Coletivo Religare
Coletivo Sasso
Coletivo Sistema Negro
Coletivo Tenda Literária
Coletivo Verde América
Coletivo VOZ
Coletivo Voz Ativa
Coletivo Voz da Leste
ColetivoFilhas da Luta
Comitê Juventude e Resistência Z/S – SP
Comitê Popular de Santos pela Verdade, Memória e Justiça
Companhia Teatral Sama Elyon
Companhiadanaoficcao
Comunidade Cidadã
Comunidade Cultural Quilombaque
Congado
Conjunto Coisa da Antiga
Contadores de Incompletudes
Contra o golpe
Cooperifa
Correspondência Poética
Cursinho Popular TRANSformação
DCE Novo Mané – Diretório Central dos Estudante da UTFPR – Campus Londrina
Descompan(h)ia demo_lições artísticas iLTDAs
DiCampana
DRE Campo Limpo
ECLA – Espaço Cultural Latino Americano
Editora Essencial
EITA AÇÃO CULTURAL
EITA! Sarau
Equipe EJA/MOVA Osasco
Espaço Gnu Lab
estamos juntos nessa batalha.
Estudante de universidade
Família Martins
Favela, uma foto por dia
FECEB RN
Federacao das Associações de Moradores do Estado de Minas Gerais _ FAMEMG
Fiandeiras Real Parque
Fome Noise
Fórum de Cultura São MAteus
Fórum Municipal de Trabalhadores do SUAS – Belo Horizonte
Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop
GEDS grupo de estudos drogas e sociedade
GOMA – Casa de Comunicação e Arte
Grêmio kami Thanatos Y Hypnos
GREMIO RECREATIVO CULTURAL E BENEFICENTE ESCOLA DE SAMBA EM CIMA DA HORA PAULISTANA
Grupo 011
Grupo Clarianas
Grupo Clariô de Teatro
Grupo de Coco Semente Crioula
Grupo Livre Ameaça
Grupo Pandora de Teatro
Grupo Parthos
Grupo Pés Esquerdos de Teatro Feminista
Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo
Grupo Transformar
Guardiões Griô
Hip Hop Mulher (Assoc. A Mulher e o Movimento Hip Hop)
Homems de Saia – Coletivo Bicho Solto
Ilú Obá de Min
Imargem
Instituto Amazônico de Comunicação e Educação Popular – IACEP Amazônia
IPAC – Instituto de Pesquisas e Ação Comunitária
Jardim Miriam Arte Clube – JAMAC
Joaquim j g porangaba
Jornal Vozes da Vila Prudente
jornalistas livres
Juventude Politizada Parelheiros
Juventude Revolução
Kilombagem
labExperimental.org
Laia Periférica
Leão de Judah
Levante Popular da Juventude
Levante Popular da Juventude maranhao
Liga dos Invasores
LiteraRUA
MAP (Movimento Aliança da Praça)
Marcha Mundial das Mulheres
MASSAPEARTS
menor slam do mundo
Mesoperiferia
Mídia Lunar
Movimento contra a elite burguesa
Movimento Cultural Ermelino Matarazzo
Movimento Cultural Grajau
Movimento de mulheres negras
Movimento Hip-Hop Organizado (MH2O)
Movimento Independente Mães de Maio
Movimento Mudança
MQG
MSU Movimento dos Sem Universidades
MTD – Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos
MUDA SP/ Boraplantar/ Zona da Mata
Mudança de Cena
Nação Hip-Hop Brasil
NaMargem – Núcleo de Pesquisas Urbanas
NaMargem – Nucleo de Pesquisas Urbanas (UFSCar)
NEPAIDS-USP – Nucleo de Estudos para a Prevenção da Aids da Universidade de São Paulo
Núcleo Bartolomeu de Depiimentos
Núcleo de Consciência Negra da USP
Núcleo de Direitos Humanos da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo
Núcleo de Economia Solidária da Universidade de São Paulo (NESOL-USP)
Núcleo de ensino, pesquisa e extensão Conexões de Saberes na UFMG
Núcleo Mulheres Negras
Núcleo Negro Unifesp Guarulhos
Núcleo Poder e Revolução
Núcleo Teatral Filhos da Dita
Nuraaj – núcleo de referência em atenção à adolescência e à juventude – Instituto Sedes Sapientiae
O SONO SOLO
Observatório da Juventude – Zona Norte
Observatório Popular de Direitos
Oca Materna Arte educação e Sustentabilidade
OCUPE-SE: A LUTA ENTRE O LÁPIS E A BORRACHA
Oriashé Org.Mulheres Negras- Cohab Cidade Tiradentes/SP
Parceiros em Luta
Periferia em Movimento
Phábrika de Arthes
Piratas Urbanos
Pode Pá Perus: Hiphopnaação
Poetas Ambulantes
Poetas do Tietê
Portal Flores no Ar
Portal Mulheres no Hip Hop
Praçarau
Projeto Espremedor
Projeto Tipo Ubuntu
Protesto Materno
PUC-SP
Quilombação
Raiz criola
Rede Liberdade
Rede Pipa
Rede Popular de Cultura Mboi Campo Limpo
Rede popular solidaria
Rede Sem Fronteiras de Teatro da/o Oprimida/o
Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
RNP Núcleo RN
Rodas de leitura
SAMBAQUI
São Mateus em Movimento
Sarau Comungar
Sarau D’Quilo
sarau do burro
Sarau do Grajaú
Sarau do Pira
Sarau O que dizem os Umbigos?!
Sarau Preto
SARAU QUINTA EM MOVIMENTO
Sarau Sem Poetas
Sarau Suburbano
Sarauzim Mesquiteiros
selo do burro
Setenta vezes sete
Shabazz Empire
Sindicato dos Economistas de Minas Gerais
Slam da Ponta
Slam do Grito
Slums
SOU DANDARA
Soul Rueiro
SóZine
SP Invisível
SUATITUDE (Sindicato Urbano de Atitude)
Toca do Lobo Produções – Complexo do Alemão
TRÓPIS iniciativas socioculturais
Trupe na RUA
Turma D’ Raiz – Essência Velha Escola
Uneafro Brasil
UNIÃO DA JUVENTUDE BRASILEIRA
Unidade Produtiva TERRA ZINE
Unisol Brasil
Universidade da Correria
Zumaluma

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A RUA GRITA

Bumba-meu-boi: ancestralidade e mídia livre na cultura popular do Maranhão

A cultura popular do Maranhão provoca uma reflexão sobre ancestralidade e comunicação: como essas manifestações … Continuar lendo Bumba-meu-boi: ancestralidade e mídia livre na cultura popular do Maranhão

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