17 de abril de 2016

O muro e o circo: às vésperas do impeachment, manifestantes dividem Brasília


Em Brasília, milhares de pessoas pró e contra o impeachment da presidenta se mobilizam para aguardar votação na Câmara dos Deputados


Por Paulo Motoryn

A Vaidapé foi ao Planalto Central acompanhar as movimentações que antecedem a votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) a ser votado neste domingo (17), na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). Milhares de pessoas, vindas do Pará ao Rio Grande do Sul, ocupam as ruas da capital federal num clima de tensão, ódio e paixão.

Manifestantes pró e contra o impedimento de Dilma se dividem em diversas aglomerações na cidade: próximo ao Estádio Nacional Mané Garrincha, um acampamento promovido por movimentos como Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) reunia milhares em “defesa da democracia e contra o golpe”; já no Parque da Cidade, militantes pró-impeachment também montaram centenas de barracas.

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Na Esplanada dos Ministérios, um muro delimita os espaços onde cada um dos grupos vai se concentrar no domingo para acompanhar a votação. Já neste sábado (16), os dois lados foram ocupados. Desde cedo, manifestantes contra o impeachment se aglomeravam em torno de um placar dos votos no Congresso Nacional, instalado numa grande no gramado em frente à Casa.

Pela manhã, no acampamento que luta “contra o golpe”, a presença do ex-presidente Lula foi só mais uma das ilustres em ato realizado. Chegando lá, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e a deputada federal Benedita Silva (PT-RJ) caminhavam junto dos milhares de militantes presentes. A Vaidapé trocou ideia com os parlamentares, que trataram de inflar as expectativas contra a vitória do impeachment. “Eles não têm maioria”, afirmou Lindbergh.

Além das representações no Congresso, a manifestação contou com a presença do coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos. Perguntado sobre o dia seguinte a uma eventual derrota de Dilma na votação do impeachment, Boulos disse apostar numa intensa jornada de lutas, com paralisações, greves e ocupações.

A vice-presidenta da UNE, Moara Correa, e a presidenta da UBES, Camila Lanes, também falaram com a Vaidapé e prometeram intensa reações do movimento estudantil contra a aprovação do impeachment. “É uma boa pergunta [o que fazer no dia seguinte ao impeachment], mas tenho certeza que a juventude vai estar mobilizada”, afirmou Camila.

Na parte da tarde, os manifestantes pró-impeachment se reuniam na Esplanada dos Ministérios, perto do gramado do Congresso Nacional. As banquinhas de vendas de camiseta, segundo Rodrigo Pini, que veio de Londrina (PR) “derrubar a presidente”, servem para financiar as viagens de Maringá (PR) à Brasília (DF). Outras diversas figuras conversaram com a Vaidapé e contaram sobre a luta pelo impeachment.

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Segundo boa parte, não trata-se de um ódio ou combate a apenas um partido: “A luta não é contra o PT”, disse Pini. Carla Zambelli, do movimento #ÀsRuas, que promovia apresentações artísticas num carro de som no fim da tarde na Esplanada, também disse que o objetivo não é apenas a troca da presidente, mas o fim de toda corrupção no país.

Na tentativa de entrada na Câmada dos Deputados, nossa reportagem foi previsivelmente barrada. A Secretaria de Comunicação da Casa permitiu apenas os credenciamentos de imprensa feitos até a última quarta-feira. O crachá da Vaidapé, bem como nossas lentes e microfones, não deram conta de captar os parlamentares e lideranças de oposição, concentrados no plenário.

Divididos por um muro, dezenas de milhares de pessoas estarão em frente ao Congresso Nacional protestando. Cercadas por um enorme contingente policial, deverão presenciar um dos episódios mais duros da insuficiente democracia brasileira. Estaremos lá.

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