02 de abril de 2016

Flash!!! Isso é um assalto!!

Fotos: Luiz Maudonnet / @luizmaudonnet
Texto: André Dib / www.universodib.com

Reflita: você está em 6789 a.C. em sua caverna: não há espelhos. Ao andar pela natureza, você não se vê. Não existe fotografia. Não existe reflexo nítido, apenas algo remexelento em um poça d’água. Quem te diz como você é? Sim, os outros. Apenas os outros podem te retratar e te contar, a partir da perspectiva deles quem é você. E hoje em dia? Um outro-digital te conta quem você é do ponto de vista dela. Um outro-espelho te ilude, te seduz com a imagem que você tem de você mesmo.

A construção identitária, parte em essência, do outro. Começa pela alteridade, a constatação de que existe um outro. Então vem uma segunda fase: contraste, o que há de igual e de diferente entre o eu e o outro. Isso acontece em um determinado lugar e em um determinado tempo. E esses dois elementos tem sentido simbólico tanto para você, quanto para o outro. E então acontece a etapa de significação. Depois de mapeadas diferenças e equivalências, é possível se situar e ter uma posição, referenciada nos outros, de quem é você, qual sua identidade.

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O experimento social fotográfico feito por Luiz faz refletir sobre essa relação entre o eu e o outro em uma cidade como São Paulo. Um lugar onde o espaço social é mais próximo do que em outras culturas, como a americana, onde não há o costume do toque e do beijinho de oi. Embora esse espaço social possa ser considerado próximo aqui, rola um estranhamento que com a vigilância e com a nossa imagem nas mãos de outras pessoas. E também o estranhamento das pessoas com as relações humanas.

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Balanco -3
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Circulamos pela cidade como formigas, nos nossos caminhos-túneis, nós temos relações funcionais e mecânicas. É estranho conversar, olhar, tocar e se relacionar de forma humana com os outros humanos-formigas que lhe perguntam “Crédito ou débito?”; que estão por ai, desempenhando seu papel para o dia de amanhã existir e todos continuarem fechados no seus espaços sociais delimitados pelos curtos-horizontes que conseguimos enxergar. O visual da cidade grande, que não deixa ver além, influencia nas relações que, também, não se deixam ver além. Ver o outro é difícil. Ainda mais difícil se relacionar com um outro. Ser afeto a um outro.

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O que incomoda é o sentimento de ter seu espaço social invadido por um outro. Um outro que muitas vezes, pode desafiar a fazer existir uma relação humana real. Que te obrigará a ser alguém, a enxergar além dos curtos-horizontes. Mostrar sua cara, registrar em uma foto quem é você, como é seu sorriso, sua careta.
Queremos sair bem na foto.

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