18 de abril de 2016

Menos de 6% dos parlamentares citam pedaladas fiscais ou crime de responsabilidade em voto

A matéria de que se tratava a votação pouco foi lembrada em meio às dedicatórias bizarras dos parlamentares

Por Vinícius Pereira

Nas justificativas de seus votos, 22 deputados fizeram referência ao termo “crime de responsabilidade” e apenas sete citaram as pedaladas fiscais.

A sessão extraordinária da Câmara dos Deputados de ontem (17/04) foi talvez a única nos últimos anos que foi atentamente acompanhada em peso pelos brasileiros. Os parlamentares declararam um a um seu voto no microfone e assim pudemos ver o rosto e os motivos de quem votou contra ou a favor. O tema que estava sendo julgado pouco foi citado. Nas justificativas de seus votos, 22 deputados fizeram referência ao termo “crime de responsabilidade” e apenas sete citaram as pedaladas fiscais, o mesmo número de vezes que foi citado o juiz Sérgio Moro.


Grupos marginalizados foram lembrados por poucos

Os LGBTT e os indígenas foram citados por apenas dois parlamentares, que votaram contra o impeachment. Os negros receberam cinco referências, de quatro deputados que votaram contra e um que votou a favor. Os pobres e as mulheres também se viram pouco representados, sendo lembrados em nove e onze justificativas de voto, respectivamente.


Casos de família

Muitos foram os deputados que dedicaram o voto a seus entes queridos. Foram 19 os que dedicaram o voto a sua esposa ou seu marido, todos favoráveis ao impeachment, e 78 fizeram referência a sua própria família, 95% destes votaram “sim”.

A MINHA ESPOSA / O MEU MARIDO 19 DEPUTADOS

SIM (100%)
35% Complete (success)

A MINHA FAMÍLIA 78 DEPUTADOS

SIM (95%)
35% Complete (success)
NÃO
10% Complete (danger)

Estranhos motivos

Muitas das sustentações surpreenderam quem assistia à sessão. O deputado Roberto Salles do PRB do Rio de Janeiro, por exemplo, votou sim “para nenhum governo se levantar contra a Nação de Israel”. Já Sérgio Moraes, do PTB do Rio Grande do Sul, dedicou o voto ao aniversário de sua neta.

“Neste dia de glória para o povo brasileiro, um nome entrará para a história nesta data pela forma como conduziu os trabalhos desta Casa: Parabéns, Presidente Eduardo Cunha!”
– Jair Bolsonaro (PSC – RJ)

Entre os que demonstraram possuir uma mentalidade medieval, se destaca o Delegado Éder Mauro, do PSD do Pará, que justificou o sim por ser contra os bandidos que querem destruir a família brasileira “com propostas de que crianças troquem de sexo e aprendam sexo nas escola com seis anos de idade”. Mas nenhum deputado conseguiu enojar tanto os espectadores quanto Jair Bolsonaro, do PSC do Rio de Janeiro, que depois de homenagear Eduardo Cunha dedicou seu voto à memória de Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador que chefiou o DOI-CODI entre 1970 e 1974.


Etcétera

Veja outras referências feitas pelos parlamentares que votaram contra ou a favor da abertura do processo.

DEUS 47 DEPUTADOS

SIM (87%)
35% Complete (success)
NÃO
10% Complete (danger)

A CORRUPÇÃO 60 DEPUTADOS

SIM (71,6%%)
35% Complete (success)
NÃO
10% Complete (danger)

O GOLPE 62 DEPUTADOS

SIM
35% Complete (success)
NÃO (85,5%%)
10% Complete (danger)
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