11 de maio de 2016

5 vídeos que demonstram como os secundaristas resgatam a fé na humanidade

Da crítica à Globo às paródias puxadas pelas batidas de funk, o movimento secundarista demonstra que nem tudo está perdido, inovando na estratégia e na estética da luta


Por Henrique Santana
Vídeos: Murilo Salazar

O movimento dos secundaristas já marcou a história e se espalha como fogo de palha pelo Brasil. Em São Paulo, depois dos mais de 200 colégios ocupados em 2015, que paralisaram o estado e derrubaram um Secretário de Educação, as mobilizações voltaram à todo vapor neste ano.

Ao todo, são cerca de 20 instituições de ensino público tomadas por estudantes, além dos recém reintegrados Centro Paula Souza e a Assembleia Legislativa do Estado. A pauta entre as escolas é comum, reivindicando uma merenda escolar digna, lutando contra o fechamento de salas de aula e a precarização do ensino público. O modelo de mobilização também é muito semelhante, com decisões tomadas em assembleia e sem uma liderança que represente os anseios dos estudantes.

A Vaidapé gravou alguns vídeos com os alunos que ocuparam durante uma semana o Centro Paula Souza e fez uma seleção dos melhores momentos, provando que os secundaristas não estão de brincadeira.

1. Marcha ré da Tropa de Choque

No dia 28 de abril, cerca de 300 estudantes ocuparam o Centro Paula Souza, instituição que funciona como núcleo gestor de todas as Escolas e Faculdades Técnicas do Estado de São Paulo (FATECs e ETECs).

Logo após o ocorrido, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, acionou a Tropa de Choque que se posicionou no local. A ação foi feita sem autorização da Justiça, que exigiu que os PMs saíssem da ocupação. A Tropa de Choque deu marcha ré e se retirou do edifício aos gritos de “chega de chacina, eu quero fora PM assassina”. Ainda assim, um mandado foi emitido e a reintegração aconteceu na última sexta-feira (6).

2. ‘Fora Globo’ no Centro Paula Souza

Um dia antes da reintegração de posse no Centro Paula Souza, Guilherme, um dos secundaristas que participava da ocupação, levantou um cartaz contra a Rede Globo e foi agredido por um cinegrafista da emissora, que logo foi rechaçado pelos alunos e saiu de cena aos gritos de “a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”.

3. Cunha cai no Centro Paula Souza

Também no dia anterior à reintegração, os estudantes receberam a notícia de que o deputado Eduardo cunha (PSDB) havia sido afastado da presidência da Câmara dos Deputados. O ocorrido foi anunciado e a ocupação entrou em êxtase, seguido de um caloroso “êta, êta, o Eduardo Cunha quer controlar minha buceta”.

4. ‘Eu sou o PM da cara de mal’

Após a reintegração do Centro, os secundaristas saíram em marcha em direção à ETESP do Bom Retiro. Chegando na frente do portão da instituição, os alunos se depararam com a Tropa de Choque já posicionada, bloqueando a entrada dos manifestantes. Em protesto, os estudantes puxaram um dos hits da ocupação, o “PM da cara de mal”.

5. Música de luta aqui é funk

Além da autonomia e horizontalidade reivindicada pelas escolas ocupadas, sem a presença de lideranças ou entidades estudantis no front das ocupações, o que chama atenção são os novos modelos de organização do movimento. Não tem carro de som ou fala em palanque, como é comum nos movimentos mais tradicionais. Tudo é feito através de jograis e as batidas de funk é que dão o tom da luta dos secundaristas.

A RUA GRITA

‘É quando som de preto toca que incendeia o baile’

Cantada pelo músico capixaba Fabriccio, a frase acima integra o single “Teu Pretim”, do disco … Continuar lendo ‘É quando som de preto toca que incendeia o baile’