23 de maio de 2016

Estancar a sangria? A queda de Jucá e a impotência de quem sempre sangrou


Áudio de Romero Jucá, vazado nesta segunda-feia pela Folha de S. Paulo, revela podridão do impeachment de Dilma Rousseff, bandeira que foi defendida por milhares de brasileiros para lutar contra a corrupção. Não há o que comemorar


Por Paulo Motoryn

É segunda-feira. Abri os olhos. Mal abri o celular e a primeira coisa que li no dia foi a tal da expressão “estancar a sangria”. Parei uns segundos para tentar entender aquilo. Frio da porra, segunda-feira pós-Virada Cultural, corpo e mente ainda confusos…

Dormi de novo, antes mesmo de saber se eu estava lendo uma poesia, uma manchete de jornal ou se ainda era a legenda de Game of Thrones. O frio fez com que a esticada não durasse mais de dez minutos. Levantei da cama. Estancar a sangria?

Quem é que usa isso pra falar com alguém? Comecei a olhar os portais de notícia. Duas deslizadas de dedo e já deu pra entender. A metáfora foi usada pelo Romero Jucá (PMDB), senador licenciado para atuar como ministro do Planejamento do governo interino do Temer.

De acordo com Jucá, que foi um dos principais articuladores no Senado do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff (PT), era preciso deter a Operação Lava Jato, que começara a ameaçar figuras ligadas ao PMDB.

O áudio vazado e sua explicação mentirosa atestam mais um interesse escuso por trás do impeachment de Dilma. Ou seja, oportunidade para tentar dialogar e reverter opinião de pessoas que apoiaram o golpe como alternativa para o fim ou para a diminuição da corrupção no Brasil. Certo?

Errado. O primeiro comentário que li nas redes sociais? Um petista propondo um brinde de sangria na entrega do “certificado de trouxa” para seus amigos que eram pró-impeachment. Grande bosta.

E que fique claro: criticar o Fla-Flu da política brasileira não é ignorar a contradição de classe, raça, gênero e tantas outras que permeiam a sociedade, mas sim entender que tais desigualdades e diversidades não estão representadas no atual binarismo partidário.

O pior de tudo é saber que tem muita gente que realmente quer um país melhor, sem corrupção, que quer um governo que ofereça educação e saúde públicas e de qualidade, oportunidades para mais gente, e que embarcou na luta por um impeachment que cada dia mais se prova com objetivos opostos.

É verdade que trata-se de uma metáfora. Jucá sabe melhor do que ninguém que político corrupto não sangra, muito menos sofre no Brasil. Quem sangra e sofre, há séculos por aqui, são sempre os mesmos: doa a quem doer, tem sim cor, classe e endereço.

 

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