16 de maio de 2016

“Nossa ‘legalize’ é nóis quem faz”


Durante Marcha da Maconha 2016, na av. Paulista, manifestantes realizaram ‘maconhaço’ e acenderam seus baseados


Por Thiago Gabriel
Fotos: André Zuccolo e Leandro Moraes

Com o lema “Fogo na bomba e paz nas quebradas”, a Marcha da Maconha SP 2016 saiu do MASP às 16h20, no último sábado (14), como faz todos os anos, para protestar por uma nova política de drogas que não seja baseada no proibicionismo. O público do evento é composto por uma variedade de posições ideológicas, morais, políticas e sociais, todas convivendo pacificamente naquele ambiente.

O objetivo que une todas essas pessoas é levantar a bandeira pela legalização da maconha e contra a perpetuação de uma política de guerra às drogas que se tornou uma guerra à pobreza.
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Foram 30 mil manifestantes presentes, segundo os organizadores. A Polícia Militar não acompanhou o trajeto, atendendo uma demanda anual da manifestação de que os próprios participantes realizem a segurança do ato. A grande diferença da marcha deste ano foi o Maconhaço, momento em que todos sentaram na Av. Paulista e acenderam um cigarro de maconha, como um protesto simbólico contra a hipocrisia que proíbe uma substância tão comumente utilizada.

A manifestação ocorreu sem qualquer incidente durante todo o trajeto, que começou com concentração em frente ao MASP (Museu de Arte de São Paulo), às 14h. O ato percorreu a Av. Paulista, desceu a Rua Augusta e terminou na Praça Roosevelt, já no começo da noite.

Entre as faixas e cartazes, manifestantes lembravam a necessidade de legalizar também outras substâncias, como o LSD e os cogumelos. Um grupo alertava para a necessidade de abrir os olhos ao uso da maconha de forma medicinal, enquanto o coletivo Respire, que propõe a redução de danos, distribuía folhetos e informações sobre o uso responsável de substâncias ilegais.

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A Frente Feminista da Marcha trouxe o grito: “A proibição mata. O machismo também” e “Paz pro corpo e liberdade pra a mente”, lembrando que a luta pela autonomia sobre o próprio corpo e a substância que se quer ingerir, converge diretamente com a luta pela autonomia do corpo das mulheres, tanto em aspectos estéticos como, por exemplo, na luta pela legalização do aborto. Em frente a loja de departamento Marisa, as mulheres da Marcha realizaram uma intervenção forte, aos gritos de “Sou Maconheira, sou feminista, não passo beck pra machista”.

Histórica, a Marcha da Maconha 2016 ocupou a Paulista em um momento político e social conturbado, em que a polarização muitas vezes afasta e divide as lutas. Mesmo assim, neste dia 14 de maio, a avenida tão disputada por grupos políticos divergentes, foi tomada por maconheiras, maconheiros e antiproibicionistas, gritando a plenos pulmões pelo fim da Guerra às Drogas e pela liberdade sobre o próprio corpo.

Confira mais fotos:

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