13 de maio de 2016

Sem mandado, PM prende secundaristas de quatro escolas ocupadas em SP

O ocorrido aconteceu dias após um parecer da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo que orienta as secretarias estaduais a fazer reintegração ocupações sem recorrer à Justiça


Por Henrique Santana
Fotos: Reprodução

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Estudantes que ocupavam a Diretoria de Ensino Centro Oeste São levados em ônibus da PM na manhã dessa sexta-feira (13)

A Polícia Militar de São Paulo acaba de reintegrar quatro instituições de ensino ocupadas  por secundaristas na manhã de hoje (13). Segundo informações da página O Mal Educado, os PMs não tinham mandado e prenderam mais de 50 estudantes. Foram despejados alunos que ocupavam a Escola Técnica Estadual de São Paulo (ETESP), no Bom Retiro, e as Diretorias de Ensino Norte 1, Centro Oeste (foto) e Guarulhos Sul.

Os PMs não confirmaram para quais DPs os estudantes estão sendo levados, mas as informações são de que os presos na ETESP foram encaminhados para o 3˚ DP, no centro; os da Centro Oeste para o 23˚, em perdizes; e os da Norte 1 para o 7˚ ou 91˚, na Lapa e Vila Leopoldina, respectivamente. Em Guarulhos os alunos foram para o 1˚ DP da cidade.

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Alexandre de Moraes, o novo Ministro da Justiça, carrega um histórico de repressão à movimentos sociais

O ocorrido aconteceu um dia depois do antigo secretário de Segurança Pública do estado, Alexandre de Moraes, ser nomeado o novo ministro da Justiça do Governo Temer. Em seus últimos dias no cargo, no entanto, o então Secretário fez uma consulta que culminou em um parecer da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo que orienta as secretarias estaduais a, daqui para a frente, fazer reintegração de posse de imóveis públicos ocupados por manifestantes sem recorrer à Justiça. 

Moraes alegou estar preocupado com “o número crescente de invasões por diversos motivos, especialmente políticos”.

Durante esta semana, a Agência Democratiza já havia apurado que professores, diretores e pais de alunos também estavam articulando planos para desocupar as escolas. As informações foram obtidas através de e-mails que vazaram na internet.

Em um deles envolve o diretor da ETESP, Nivaldo Jesus dos Santos Freire, que trocava mensagens com Julius Cesar José Capeline, um dos professores da instituição. Nivaldo relata a possibilidade de um confronto entre estudantes que ocupam a escola e alunos insatisfeitos com a ocupação, mas sugere “que os professores e a equipe de gestão procurem não se envolver, deverá ser entre os alunos”.

Na última quinta-feia (5), uma estudante da ETEC Brasilides de Godoy, enviou ao perfil da Vaidapé no Facebook mensagem afirmando que “a ocupação está sendo atacada por adultos que não concordam com o ato. Está rolando agressão física e coisas do tipo”.
Apesar dos constantes ataques, a escola não havia sido realmente desocupada até a noite de ontem, quando pais, funcionários e alunos invadiram a escola e expulsaram os estudantes da ocupação. Hoje, para felicidade de Nivaldo, foi o dia dos alunos da ETESP.

O diretor ainda relembra, com aparente animação, as invasões e agressões que estão ocorreram na ETEC Basilides de Godoy, na Vila Leopoldina, onde estudantes sofreram com diversos ataques de pais e alunos descontentes com a ocupação (ver ao lado). “Veja o que aconteceu ontem no Basilides de Godoy, os alunos do noturno [contrários a ocupação] derrubaram o portão e passaram por cima literalmente dos manifestantes e foram ter aulas”, escreve.

Julius responde ao diretor, afirmando que Nivaldo estava passando informações erradas para “professores (inclusive eu) e alguns alunos. A informação que você [Nivaldo] passou é que o Centro Paula Souza [órgão responsável pela gestão das ETECs] apoiava o confronto entre alunos que desejavam assistir as aulas e professores contra alunos que realizavam a ocupação do prédio”. Entretanto, continua o professor, “conforme pode ser visualizado no item 3 do comunicado publicado [pelo Centro Paula Souza], o conflito deverá ser evitado”.

| Você pode baixar o documento com os e-mails clicando aqui.

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