13 de maio de 2016

Uma sexta-feira 13 no governo Temer

O segundo dia de um governo sem voto. Eles vêm quente. Nóis vamo fervê!


Por Paulo Motoryn
Fotos: Leandro Moraes

Eu sei que tá desesperador ver quase todo mundo achando que tá tudo bem, que tá bacana o presidente do Brasil ser o Temer, que é de boa o ministro da Justiça ser o senhor das chacinas, que agora é tranquilo ter sete ministros investigados na Lava Jato.

Tá foda ver os movimentos que iam às ruas dizendo que lutavam contra a corrupção, falando que a luta não era só contra o PT, comemorando esse novo governo. Tá nojento ver Serra e tantos outros que perderam as eleições presidentes tomando posse no Palácio.

Também tava foda ver Kátia Abreu, Kassab, Henrique Eduardo Alves e tantos outros absurdos no governo Dilma. Por isso que, assim como eu, tem muita gente que fica nessa perplexidade raivosa, nessa revolta estagnante, nessa indignação desconfiada.

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Ato contra Temer se reuniu nessa quinta-feira (12), na avenida paulista, em São Paulo

Mas o governo Temer veio quente: se já estávamos sob intervenção de um ajuste fiscal corroendo o orçamento da educação, cortando direitos conquistados, a nova cúpula promete aprofundar a tesoura: privatizar o ensino, o ir e vir, o pensar.

Sente o drama: o novo presidente renomeou o slogan do governo federal para “ordem e progresso”. O novo ministro do Desenvolvimento Social e Agrário acha que o Bolsa Família é uma “coleira política”. O novo ministro da Justiça é comandante de chacinas e repressão brutal a estudantes e movimentos sociais.

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O novo ministro das Relações Exteriores defende a entrega de riquezas naturais para os Estados Unidos. O novo ministro da Cultura e Educação (eles juntaram) é contra as cotas na educação pública. O novo ministro do Meio Ambiente é filho do Sarney.

O ministro da Agricultura é um dos maiores ruralistas do país. O novo ministro dos Transportes deu entrevista felizão dizendo que quer “privatizar tudo que for possível”. Além de não ter nenhuma ministra mulher, não tem nenhum homem negro ou LGBTT, pessoa com deficiência ou um mínimo de diversidade. Só homem branco.

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Mas se eles tão prometendo privatizar o ensino médio, cês já pararam para pensar o que vai ser a luta dos estudantes secundas do Brasil todo contra essa bizarrice? Se querem dar fim às cotas raciais, já pensaram no que vai ser a luta dos jovens negros e negras cada vez mais presentes nas universidades?

Vão desafiar? Se forem, vão sair perdendo.

Se a luta dos últimos meses não era ‘pelo governo Dilma’, ou pela ‘defesa de uma democracia’ que não vivemos, agora é menos ainda. O fim do governo Dilma vai abrir espaço para um novo ciclo de lutas que emerge. Novos modelos de organização, de ideias, de luta.

Pra isso, precisamos entender o ‘fim’ a que estamos assistindo. Um fim que deve pode ser entendido a partir de um golpe movido por sentimentos conservadores, tacanhos e corruptos, mas também pelo esgotamento e pela incapacidade dos governos petistas em oferecer alternativas à transformação real da sociedade, da mídia, e ao enfrentamento radical das desigualdades que existem no Brasil.

Hoje é sexta-feira 13 e, infelizmente, tá sinistro. Pior que tá pode ficar sim. Mas quem nunca dormiu, não treme.

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Na foto, escritório da presidência em São Paulo pichado por manifestantes

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