08 de junho de 2016

300 dias depois, você vai seguir em silêncio sobre a chacina de Osasco e Barueri?


Há 300 dias, 23 pessoas eram assassinadas na região de Osasco e Barueri. Foi comprovada a participação de sete agentes públicos, sendo que quatro já estão soltos. O secretário que comandava a PM na época virou ministro da Justiça


Por Paulo Motoryn
Fotos: Thiago Gabriel

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Em agosto do ano passado, 23 pessoas foram assassinadas na região de Osasco e Barueri, na Grande São Paulo. Foi a maior chacina de 2015 no estado. A investigação da Polícia Civil mostrou que, além das 19 pessoas mortas no dia 13 de agosto, outras quatro já haviam sido mortas pelos mesmos assassinos dias antes.

A contar desde 13 de agosto do ano passado, 300 dias já se passaram. A série de ataques, segundo o inquérito, foi motivada pela morte de um policial militar, no dia 7 de agosto, e de um guarda civil metropolitano, no dia 12 de agosto. Em dezembro, seis policiais militares e o coordenador da GCM de Barueri foram indiciados pelas mortes em inquérito da Polícia Civil e acabaram presos.

Todos eles já haviam sido presos por abusos promovidos como agentes de segurança pública. No entanto, a Justiça Militar revogou a prisão dos sete agentes estatais responsáveis pelas mortes. Três deles seguem presos, pois tiveram a prisão pedida pela Justiça comum. Quatro estão soltos.

De acordo com presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB-SP, a Corregedoria da PM agiu de forma ilegal durante a investigação sobre as mortes e o “processo se transformou num verdadeiro circo de horrores judiciais”. A reportagem de André Caramante, da Ponte Jornalismo, descreve os sucessivos erros e atropelos.

Na época, a Vaidapé foi à região dos ataques para acompanhar um ato organizado por moradores que pediam paz na comunidade. O pixador Cripta Djan, morador de Osasco, criticou a atuação da PM e deninciou a ação de grupos de extermínio formados por agentes do estado. “É a mão do Estado batendo forte, cobrando pessoas inocentes numa guerra que elas não tem nada. Eu vejo como uma ação covarde matar pessoas que não tem como se defender”, desabafou.

Zilda Maria de Paula, mãe de Fernando ‘Abuse’, uma das vítimas dos ataques, também lamentou o caso. A Vaidapé registrou seu depoimento no vídeo abaixo.


A CÚPULA DA SEGURANÇA PÚBLICA

A política de segurança que culminou na chacina de Osasco e Barueri também foi premiada. O então secretário de segurança pública, Alexandre de Moraes, responsável pela operação policial também nas chacinas de Mogi das Cruzes, Vila Jacuí, Jaçanã, Quadra da Pavilhão Nove e Jardim São Luiz, foi promovido a ministro da Justiça do governo interino de Michel Temer (PMDB).

Para piorar, o novo secretário de segurança pública de SP, em sua primeira entrevista coletiva, disse que irá conduzir a pasta com “alma de delegado” e “alma de coronel”. Mágino Alves Barbosa Filho é quem vai substituir Moraes. Ele foi seu cúmplice na repressão brutal aos estudantes secundaristas e a diversas manifestações de rua nos últimos anos.

Filho de delegado e ex secretário-adjunto, Mágino promete dar sequência à política de segurança pública de seu sucessor e crê que vai contar com mais apoio do governo federal. Ele tem boa relação com o atual comando das polícias. Com a promoção de Alexandre, é a hora de Mágino e sua alma de coronel comandarem as ações da PM na maior cidade do Hemisfério Sul.

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