15 de agosto de 2016

Reggae e rap se unem em evento gratuito no gramadão do Parque Chácara do Jóquei


O evento aconteceu no último sábado, 13, e reuniu famílias, rastas e fãs do hip hop no Parque Chácara do Jóquei


Por Thiago Gabriel
Fotos: Thiago Gabriel

Era mais um sábado ensolarado no recém inaugurado Parque Chácara do Jóquei, no bairro do Butantã. A criançada se divertia nos campos de futebol, enquanto os jovens se revezavam na pista de skate e os adultos faziam suas corridas matinais na grande área do parque. O espaço foi inaugurado em abril deste ano, e representa a vitória de uma luta de mais de 16 anos travada pelos moradores do bairro pela construção do local.

Assim como no dia da inauguração, o que diferenciava este sábado de outros finais de semana no Parque era o palco montado no gramadão, onde ficam os campinhos de futebol. Dessa vez, quem iria agitar a tarde eram diversos grupos de rap e reggae, reunidos para a segunda edição do Roots Rap Reggae, evento organizado pelo Portal RAS e a Rádio Cidadã FM, a comunitária do Butantã.

Durante toda a tarde, o clima de paz tomou conta do Butantã com os shows de Filhos da Terra, Jah I Ras, Guerreiros de Sião e Solano Jacob representando a cultura rastafari; Max B.O, Gaspar Z’Africa Brasil, Edsão Mozum, e o grupo composto por jovens da aldeia Tekoa Itakupe, o Oz Guarani, representaram a cultura hip hop.

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Além dos shows, quem chegou mais cedo acompanhou uma roda histórica de capoeira angola, que reuniu o Mestre Lambari, do bairro do Butantã, e o Mestre Louva-Deus, diretamente de Salvador. Entre jogos e músicas, muita mensagem foi passada nas

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falas dos mestres e de todos os presentes sobre a importância de criação de espaços como estes e da resistência da capoeira como afirmação cultural.

No final da tarde, foi a vez das mulheres rastafari do Coletivo Kandakes comandarem uma roda de conversa sobre o papel e a voz da mulher dentro da cultura rasta. A conversa passou tanto pelos aspectos ancestrais da cultura, quanto pela necessidade de informar e discutir essa questão dentro de um contexto de lutas feministas e de derrubada do patriarcado que tangem o tempo atual.

Durante os shows, o público relaxava no gramadão e os artistas no camarim, em um clima de muita amizade e solidariedade entre os grupos, muitos formados no próprio bairro do Butantã. A apresentação do Jah I Ras contou com a participação de Mozum e Gaspar, que dividiram também o palco para se apresentar no bairro em que foram criados.

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Max B.O impressionou a todos com seu freestyle de improviso, e chegou a rimar a partir das informações da carteira de identidade de um dos integrantes do público.

Em uma conversa informal depois do show, Gaspar confidenciou: “Eu venho do ambiente do rap, que é estressante. Quando eu chego aqui e vejo a galera eu viro uma criança. No público do reggae o cara mais sério tá com um sorriso no rosto”. Durante as apresentações, as bandas destacavam a todos os presentes a união dos dois estilos musicais, e afirmavam que estes são irmãos.

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Para quem foi assistir os shows, pode acompanhar um clima familiar em que, além dos shows, a interação pacífica entre os presentes foi constante. Para as famílias que simplesmente visitavam o parque, ficou a surpresa e a satisfação de ver, mais uma vez, um espaço conquistado pela população do Butantã ser palco da expressão política de se ocupar com cultura os espaços públicos da cidade.


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