15 de setembro de 2016

Assista o curta ‘Peabiru: Um caminho de água, cultura e querosene’

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Curta-metragem documental explora a luta pela construção do Parque da Fonte, uma área de aproximadamente 39.000 m² no Morro do Querosene

 


A Vaidapé, em parceria com a Sujismundo Filmes, disponibiliza gratuitamente a versão online do curta-metragem documental “Peabiru: Um caminho de água, cultura e querosene”, que estava em exibição no 27o Festival Internacional de Curta-Metragens de São Paulo.

Dirigido por João Miranda, 23, o filme buscou apresentar o processo de mobilização sócio-cultural dos moradores do Morro do Querosene para reativarem uma área de interesse público que estava sem utilidade alguma.

Ao lado, cartaz oficial do curta-metragem.


A LUTA PELO PARQUE

No inicio do século XX, o distrito do Butantã, zona oeste de São Paulo, era considerado uma zona rural. A vila Pirajussara, popularmente conhecida como Morro do Querosene, é um dos bairros que formam esse distrito. Ali, sua história milenar luta para sobreviver frente à especulação imobiliária e ao descaso governamental, resistindo através da voz e suor de seus moradores.

Isolados entre interesses privados e a displicência do governo municipal e estadual, os moradores se organizam em ações sócio-ambientais no bairro. São frequentes os mutirões de limpeza que ajudam a desassorear os rios e preservar as nascentes; e festivais, como o FAMQ – Fonte de Artes do Morro Querosene, que encheram o Peabiru com música e arte de artistas locais e convidados.

Banda Planta e Raiz, no FAMQ, em agosto de 2015 (Foto: André Zuccolo)Banda Planta e Raiz, no FAMQ, em agosto de 2015 – Foto: André Zuccolo

A ÁREA

Com aproximadamente 39.000 m², a área abriga três nascentes e uma fonte de água mineral potável. No entanto, toda a água vai diretamente para o esgoto.

Dinho Nascimento, um dos percursores da luta pelo Parque da Fonte – Foto: Jay Viegas

O local preserva uma característica histórica: faz parte do caminho do Peabiru, uma rota que ligava os Andes ao Oceano Atlântico, utilizada pelos indígenas sul-americanos há um milênio atrás.

Segundo Dinho Nascimento, artista e membro da Associação Cultural Morro do Querosene, este e os próximos anos podem ser decisivos para a criação do Parque da Fonte do Peabiru: “Aqui tem uma história milenar. A gente vai fazer esse barulho para sermos cada vez mais ouvidos, e que os governantes possam desapropriar essa área”.

A SITUAÇÃO HOJE

Em 2011, após anos de reivindicação do terreno pelos moradores do Morro do Querosene, a prefeitura emitiu o Decreto de Utilidade Pública (DUP), que venceria em agosto de 2016. Com o decreto, as autoridades teriam cinco anos para comprar o terreno da família Basile, atual proprietária.

No último dia para expirar o DUP, a prefeitura autorizou a desapropriação da área, deixando mais próximo o sonho dos moradores do Morro do Querosene em construírem o Parque da Fonte.

Nabil Bonduki, ex-Secretário de Cultura da cidade de São Paulo, em evento realizado no Morro do Querosene
Nabil Bonduki, ex-Secretário de Cultura da cidade de São Paulo, em evento realizado no Morro do Querosene – Foto: Jay Viegas

Segundo Nabil Bonduki, relator do Plano Diretor Estratégico – que orienta o crescimento da cidade pelos próximos 16 anos, dando diretrizes para atualização de outras leis importantes, como a de Zoneamento, a de Uso e Ocupação do Solo e o Código de Edificações – “a criação do parque só está sendo possível porque a área foi demarcada como ZEPAM (Zona Especial de Proteção Ambiental)”.

Independente de quem seja o burocrata que assinou o óbvio, é evidente que nada teria acontecido sem a mobilização dos moradores.

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