28 de outubro de 2016

O que aprendemos com Belo Monte? Dor e luta depois da inundação


Um filme inédito sobre a tragédia promovida pelo complexo hidrelétrico Belo Monte no Pará foi exibido no III Festival Juruena Vivo e emocionou indígenas e ribeirinhas. Roda de conversa recebeu moradoras da região


Por Paulo Motoryn
Fotos: João Miranda

“O filme que vocês acabaram de assistir não conta uma historia. Ele conta uma guerra”. Foi com essas palavras que Raimunda Silva, moradora de Altamira (PA), cidade impactada pela construção do complexo hidrelétrico Belo Monte, abriu uma roda de conversa sobre o filme “Belo Monte depois da inundação”.

O documentário foi exibido pela primeira vez publicamente na manhã desta sexta-feira (28), no segundo dia de atividades do III Festival Juruena Vivo, que está acontecendo em Juara (MT). A gravação acompanhou desde 2012 o impacto do megaprojeto nas comunidades indígenas e na cidade de Altamira (PA).

juruena_dia1-11

Raimunda é uma das personagens centrais – e reais – do documentário. Bastante emocionada, ela contou sobre a vida hoje na região: “Não vivemos uma vida digna. Nossas casas foram demolidas, a pesca já não é mais possível porque não tem peixe e os serviços de saúde de Altamira são cada vez mais precários”.

“Viver não é o que estamos fazendo. Belo Monte deixou uma legião de mortos-vivos em Altamira. Gente sem casa, sem renda, sem nenhuma compensação, nem alternativa. As mulheres sofrem muito”, disse Raimunda, que assistiu ao filme ao lado de Daniela Silva, também moradora de Altamira e integrante do movimento Xingu Vivo para Sempre.

Daniela, ainda na quinta-feira (27), na abertura do Festival, fez questão de relembrar: “Apesar de inaugurada e com os paredões erguidos, com o rio e as populações afetadas, Belo Monte não é um fato consumado. Há muito ainda para fazer e lutar”. Daniela e Raimunda vieram à Juara juntas e, como várias pessoas da plateia, choraram juntas pela tragédia que virou filme.

juruena_dia1-7

Em dezembro, o filme vai estrear oficialmente em Brasília (DF) com a presença de representantes da região, na tentativa de sensibilizar o poder público sobre a violação de direitos humanos na construção do complexo hidrelétrico. A locução do documentário é do ator Marcos Palmeira, presença confirmada no lançamento oficial do filme em Brasília.

Um representante do povo Munduruku, Aldemar, ao lado da tradutora Gelma, fez reflexões interessantes sobre o processo de desenvolvimento no Brasil. “O passado do genocídio, da exploração, é o nosso presente. O governo olha para os seus pés, mas não olha para a distância que o país tem que caminhar. Não queremos barragem. Queremos vida”.

João Andrade, representando o Fórum Teles Pires e a ONG Instituto de Centro de Vida, também contribuiu com o debate: “Existem experiências de mobilização, de luta, que mostram que é possível barrar projetos, como já aconteceu no Tapajós, como pode acontecer com vários outros empreendimentos como esses que podem vir por aí”, relatou.

A RUA GRITA

Volta Negra: a história do negro no Centro de São Paulo

Novo ciclo de caminhadas da Volta Negra começa neste sábado e tem atividades programadas para os próximos dois meses

A RUA GRITA

Últimos 3 dias para ajudar: Cora Primavera vai às ruas!

Criado pela Cia. Nada Pensativo, peça Cora Primavera aborda questões como transfobia e violência contra … Continuar lendo Últimos 3 dias para ajudar: Cora Primavera vai às ruas!