30 de novembro de 2016

Cia. Caracaxá comemora seus 13 anos de maracatu no bairro do Butantã


Ao toque do maracatu de baque virado, o grupo remonta as lutas e insurreições negras através do ritmo tipicamente pernambucano


Da Redação

A Companhia Caracaxá realizará um cortejo de celebração dos 13 anos de estrada no próximo sábado (3), no bairro do Butantã. O grupo trabalha a linguagem do maracatu de baque virado, manifestação popular da região litorânea do estado de Pernambuco. A concentração do evento está marcada para às 12h e a saída do cortejo prevista para às 16h, na rua Dr. Cícero de Alencar 122, entre a avenida Corifeu de Azevedo Marques e o início da Rodovia Raposo Tavares.

O grupo Caracaxá foi fundado em 2003, por intermédio de uma reunião entre percursionistas e brincantes para realizar uma apresentação cultural no beco do Aprendiz, na região da Vila Madalena. Dessa união, foi criado um grupo de pessoas interessadas em estudar a linguagem do maracatu. Com suas características roupas alviverdes, o grupo faz encontros semanais abertos às quintas feiras na Cidade Universitária.

Formado por brincantes paulistanos, a Cia. estuda e reproduz diversos aspectos da cultura do maracatu de baque virado, sempre relembrando e fazendo referências a linguagem das agremiações tradicionais de maracatu do estado de Pernambuco. Chamadas de Nações, essas agremiações são responsáveis diretas pela manutenção e pela sobrevivência de uma cultura que começou na época da escravidão e resiste até hoje.

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História

Tipicamente pernambucano, o maracatu existe em duas vertentes no estado nordestino: o de baque virado, também conhecido como maracatu nação, que conta com uma linguagem exclusivamente percussiva; e o de baque solto, manifestação que ocorre principalmente na zona da mata.

Os estudos que falam sobre a origem do maracatu remontam ao final da época escravagista, onde ocorreram muitas insurreições da população negra escravizada. As rebeliões e revoltas se tornaram perigosas para os senhores de engenho, pois o contra-ataque da população negra começava a deixar vítimas fatais.

Diante do fato, a coroa portuguesa decidiu remediar a situação criando o título de “reis do Congo”, cargo que supostamente trataria da representatividade política dos negros. O rei e a rainha eram eleitos pela comunidade negra e a coroação era feita na Igreja da Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Após a coroação, era momento de um enorme cortejo pelas ruas do entorno da igreja, com música, dança e teatro. A musicalidade presente nestes cortejos foi o que deu origem ao ritmo e as suas figuras, que até hoje são representadas nos cortejos e brincadeiras de maracatu em todo Brasil.

Remontando essa história, a Cia. Caracaxá convida a todos para louvar a história de resistência das populações negras através do maracatu de baque virado. A tarde será de celebração!

Quando?: Sábado, 3 de dezembro, a partir das 11h
Onde: Rua Dr. Cícero De Alencar, 122 – Butantã

Confira o página do grupo:
https://www.facebook.com/ciacaracaxa/?fref=ts

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