04 de novembro de 2016

Em menos de 24h, PM reprime duas instituições de ensino em São Paulo

O Centro Paula Souza, que havia sido ocupado por secundaristas foi reintegrado em menos de uma hora. Nem um dia havia se passado, e a PM também invadiu a Escola Florestan Fernandes, instituição de ensino do MST


Por Henrique Santana,
com informações de Murilo Salazar
Fotos: Leandro Moraes

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Foi uma semana agitada para o movimento de estudantes secundaristas que ocupam escolas em todo o país contra a PEC do teto de gastos, que limitará investimentos em saúde e educação, e a reforma do ensino médio proposta pelo governo de Michel Temer (PMDB).

No final da tarde de ontem (3), por volta das 18h, cerca de 40 estudantes de Escolas Técnicas do Estado de São Paulo (ETECs) e secundaristas ocuparam o Centro Paulo Souza, órgão que funciona como núcleo gestor das instituições técnicas do estado. É a segunda vez que o local é ocupado no ano.

Além das pautas comuns ao movimento como um todo, os estudantes reivindicam que o governo garanta o repasse de verbas para as FATECs, que possuem um alto índice de evasão estudantil.

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Os alunos entraram no local pulando o portão e aramaram barracas ao lado do edifício. Alguns minutos depois, no entanto, a polícia surgiu e começou a fechar a rua. Não demorou para que um ônibus da PM e camburões da Tropa de Choque também dessem as caras no Centro Paula Souza. Um cordão de isolamento foi criado nos arredores do edifício e jornalistas eram coibidos de chegar mais próximos do local.

Em algumas horas, a Tropa de Choque cercou os estudantes e forçou a saída do prédio de forma truculenta. Todos foram revistados antes de abandonar o prédio. Um deles, o secundarista Matheus, de Santo André, chegou a levar um pontapé de um PM na boca. Depois disso, todos foram enviados para a 2ª DP, no Bom Retiro, região central de São Paulo.

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Antes dos jovens serem retirados, policiais pediram que o fotógrafo da Vaidapé, Murilo Salazar, e o colaborador da Mídia Ninja, Leandro Moraes, que acompanhavam a ocupação de dentro do Paula Souza, deixassem o edifício. Alegando que iriam continuar registrando a ação da PM, ambos foram encaminhados juntos com os secundaristas para a DP. A liberação só aconteceu por volta da 00h.

Desocupações relâmpago vêm se tornando rotina em São Paulo nos últimos meses. Após duas ondas de ocupações de escolas públicas do Estado, no final de 2015 e no começo do ano, a postura da PM passou a ser de impedir a entrada dos estudantes, como foi observado no E.E. Silvio Xavier Antunes, reintegrada em menos de 24h.

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Depois de ser agredido pela polícia, o estudante Mateus segura B.O. na 2ª DP

Mais um tsunami secundarista


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A desocupação do Paula Souza aconteceu em um contexto de criminalização das mais de 1.200 ocupações que se alastraram pelo país, grande parte delas no Paraná. Depois do tsunami secundarista do começo do ano, o governo assumiu posição mais enfática contra os estudantes.

A maior polêmica desta semana se deu a partir de um possível adiamento – ou até cancelamento – das provas do ENEM marcadas para o final de semana, em decorrência das ocupações.

Estudantes sem Terra


Nem 24h haviam se passado desde a reintegração do Centro Paula Souza e outra invasão policial aconteceu no estado, deste vez munida de armas de fogo. Na manhã desta sexta-feira (04), cerca de 10 viaturas da polícia civil e militar invadiram a Escola Florestan Fernandes, centro de educação do Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), em Guararema, interior de São Paulo. O local promove aulas para integrantes do movimento e de outros setores e entidades ligados a luta pela terra no campo.

De acordo com os relatos de quem estava no local, os policiais chegaram por volta das 09h da manhã, pularam a janela da recepção e deram tiros para o ar. Veja o momento da entrada da PM no vídeo abaixo.

O movimento emitiu nota repudiando a ação, que segundo eles “decorre de ações deflagradas no estado do Paraná e Mato Grosso do Sul”, onde “a Polícia Civil executa mandados de prisão contra militantes do MST, reeditando a tese de que movimentos sociais são organizações criminosas, já repudiado por diversas organizações de Direitos Humanos e até mesmo por sentenças do STJ”.

O movimento ainda afirmou que luta pela democratização do acesso a terra no país e “a ação descabida da polícia fere direitos constitucionais e democráticos”.

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