01 de novembro de 2016

No interior do Mato Grosso, etnias indígenas se juntam contra PEC 241


As manifestações contra a proposta que altera a Constituição Federal para limitar os investimentos sociais não acontecem apenas nas ocupações de escolas e universidades pelo Brasil. Numa cidadezinha do interior do Mato Grosso, diversas etnias indígenas somaram na luta contra a proposta


Por Paulo Motoryn
Fotos: João Miranda

Na tarde da última sexta-feira (28), centenas de pessoas ocuparam as ruas de Juara (MT) em protesto contra a PEC 241, que limita os investimentos sociais, e pela efetivação e respeito aos direitos indígenas.

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Lá acontecia o III Festival Juruena Vivo com uma programação repleta de debates e shows, mas que não se esquivou do debate sobre as questões políticas que apontam um enorme retrocesso em direitos conquistados pelo povo. Era o segundo dia de evento e todos e todas ali fizeram questão de tomar as ruas.

Estavam presentes pesquisadores, lideranças de movimentos sociais e representantes de diferentes etnias indígenas, como os Manoki, Nambikwara, Myky, Rikibaktsa, Munduruku, Apiaká-Kayabi e Tupinambá Hã Hã Hãe.

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O cacique Ianaki, da etnia Myky, afirmou: “Vamos ser fortes. Vamos lutar, vamos em frente porque essa luta não é de agora que está começando com mais esses ataques. Os mais ricos estão acabando com a nossa cultura, nossa tradição, nossa vida”.

“Vamos derramar sangue juntos. Temos nossos direitos”, disse o representante Kayabi

A etnia Kayabi teve sua fala representada por Porokó: “Os governantes não nos respeitam. Não respeitam os povos indígenas. Nós estamos lutando. Vamos lutar juntos. Vamos derramar sangue juntos. Temos nossos direitos”.

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Erivam Morivam da etnia Apiaká também se manifestou: “Não vão acabar com nós. Não acabaram com nós em 500 anos, não vão acabar com a gente agora. Agora nós temos estudos, temos parceiros, temos várias entidades que lutam junto com a gente”, disse.

“Somos contra o roubo de direitos. É incrível como os caras de pau insistem em fazer isso mesmo com todas as reações, estão rindo de nossa cara. Boa parte são dos deputados são aqui do Mato Grosso. Dos 17 do Pará, 14 votaram a favor. No Mato Grosso, só um deputado votou contra”, afirmou o padre Edilberto Sena, do movimento Tapajós Vivo para Sempre.

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O ato durou cerca de uma hora e contou com cantos e apresentações de diversas etnias indígenas, além de gritos contra Michel Temer e a PEC 241, que limita os gastos públicos e investimentos sociais.

A Vaidapé foi um dos coletivos convidados a fazer parte da equipe de comunicação do III Festival Juruena Vivo.
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