30 de janeiro de 2017

Ocupação na creche da USP pede mais vagas e resiste contra fechamento

Por Patricia Iglecio

Cristiane*, é estudante da Faculdade de Filosofia e Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP). Ela é mãe de uma criança de cinco anos, que frequenta a creche central da universidade desde os seis meses. Em entrevista para a Vaidapé, Cristiane explica a ocupação que alunos, funcionários e docentes estão organizando na creche, desde o início desse ano.

16443870_1366780173395660_1807612357_oHoje, a USP conta com duas creches, a oeste e a central, que oferecem  ao todo 91 vagas, mas deveriam atender 157 crianças. Desde o início de 2015, os pais dessas crianças se mobilizam para pleitear essas vagas, porque, aos poucos, a universidade está fechando as creches, e toda vez que uma criança se desliga da instituição, a vaga é fechada.

Em janeiro de 2017, foi anunciada a reabertura de vagas para a creche central. No entanto, com o fechamento velado da oeste, que vem sendo promovido pela reitoria desde 2015 ao não abrir mais vagas, existe um déficit de 66 vagas.

“Nós fizemos um levantamento informal pela internet e existem 303 crianças que teriam o perfil de frequentar a creche, entre filhos de funcionários, docentes e alunos. Então se você fizer a conta das 157 vagas que a gente pleiteia, com apenas 91 atendidas, são mais de 200 crianças fora da creche”, afirma Cristine.

Atualmente, 40% das vagas são oferecidas para alunas, 40% para funcionários e 20% para docentes. Não há resposta da universidade. “Sobre a ocupação a universidade não está fazendo nada, só este tapume bizarro”, diz. Na semana passada, uma equipe enviada pela reitoria instalou um tapume ao redor da ocupação, sem nenhum tipo de explicação.

16442763_1366781110062233_861488403_oShows, fóruns passeatas e atividades integradas com os filhos tem sido promovidas pelo movimento. Para Cristiane, quem mais sofre com o fechamento das vagas são os estudantes, já que a creche é um dos principais pontos discutidos atualmente como essenciais para a permanência estudantil.

Funcionários e docentes tem direito ao auxilio creche até seis anos de idade, com o valor de R$ 633,84. Mas as alunas não, porque, por lei, a universidade não é obrigada a desembolsar o valor. Nem mesmo vagas na creche a USP é obrigada a oferecer para estudantes. Mas no manual do candidato isso está previsto.

“As creches não servem só para atendimento de crianças, servem para ensino pesquisa e extensão”. Nos últimos anos, as creches da USP serviam como modelo. Entre 2007 e 2014 mais de 600 delegações de outros estados e países foram conhecer o modelo de ensino.

*Cristiane é um nome fictício.

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