28 de março de 2017

Artistas protestam no centro contra congelamento de verbas da Cultura

Com o congelamento de quase metade da verba destinada para Cultura em SP, artistas se mobilizam para pressionar a pasta por mais investimentos


Por: Thiago Gabriel
Fotos: André Zuccolo

O centro de São Paulo, na tarde de ontem (27), foi tomado por artistas em protesto contra o congelamento de verbas promovido pela Prefeitura na área da Cultura. Músicos, atores, atrizes, profissionais da dança, do circo e funcionários de diversos programas da Secretaria de Cultura se reuniram em frente ao Teatro Municipal para caminhar, com muita criatividade, pelas ruas centrais da cidade e exigir a atenção da Prefeitura para as demandas do grupo.

No início de seu mandato, João Doria e o secretário de cultura André Sturm, anunciaram um congelamento de 43,5% das verbas destinadas à pasta. O orçamento total, aprovado no final do ano pela Câmara a partir de mobilização dos artistas, é de R$ 450 milhões, e representa menos de 1% do orçamento de toda a Prefeitura. Boa parte desse valor, ainda, é destinado aos custos administrativos da pasta, o que, segundo os artistas, faz com que a verba para a criação e manutenção de programas da cultura seja muito reduzida.

Organizado pela Frente Única da Cultura SP, coletivo formado no início do ano para combater o congelamento das verbas, a concentração do ato aconteceu em frente ao Teatro Municipal. Ao chegarem no local, os manifestantes encontraram a área ao redor do prédio completamente cercada por grades e protegida por guardas da GCM. A Prefeitura justificou as grades por conta do evento de lançamento do programa Nossa Creche, que ocorreu ontem à noite no Teatro, com a presença do prefeito.

Ainda durante a concentração, uma outra manifestação, que havia sido convocada mais cedo por professores municipais, e que deliberou a continuação da greve da categoria contra as reformas do Governo Federal, passou pelo local e uniu artistas e professores em solidariedade às lutas. Nesse momento, muitos se manifestaram contra a Reforma da Previdência e pediram a saída do presidente Michel Temer.

Por volta das 17h, os artistas deixaram o Teatro Municipal em direção ao prédio da Secretaria Municipal de Cultura. À frente do ato, os artistas carregavam geladeiras, para representar o congelamento das verbas. No trajeto, foram realizadas intervenções artísticas das mais variadas, com performances musicais, dramáticas e de dança. Também era possível observar muitas pessoas fantasiadas que carregavam estandartes e cartazes.

Em frente à Secretaria de Cultura, os artistas encontraram mais portas fechadas, e realizaram um escracho público ao secretário André Sturm e o prefeito João Doria, enquanto gritavam palavras de ordem e alguns discursavam, como o ator Pascoal da Conceição.

 

Os manifestantes demonstraram preocupação com o corte de diversos programas da área de Cultura, muitos deles já previstos por Lei Municipal, e conquistados a partir de reivindicações do setor artístico. Entre os programas ameaçados estão, por exemplo, o Programa de Iniciação Artística (PIÁ) e Vocacional, que atende crianças e adolescentes; os fomentos à Dança, ao Teatro, das Periferias, ao Circo; o Programa de Valorização das Iniciativas Culturais (VAI e VAI II) e o Programa Aldeias, que financia o fortalecimento das expressões culturais dos povos Guarani na cidade. A preocupação também é de que as ações mais afetadas poderiam estar localizadas em áreas periféricas da cidade.

O secretário de Cultura, André Sturm, postou em sua página no Facebook, um esclarecimento sobre os cortes realizados na pasta. Na nota, ele explica que houve uma reclassificação de atividades continuadas e programas de Formação como “projetos”, e que por isso esses programas teriam sido congelados. Ele afirma sobre a situação que: “Desde que se deparou com esta situação a Secretaria vem lutando diariamente para conseguir o descongelamento destes valores. Desde o início do ano já conseguiu descongelar cerca de R$ 30 milhões para essas atividades”.

O ato seguiu para o prédio da Prefeitura, no Viaduto do Chá, onde se encerrou. Ali, os artistas realizaram projeções, alguns discursos e apresentações, com a promessa de seguirem mobilizados contra o que consideram retrocessos na política de cultura da cidade. Ao final, os manifestantes deixaram as geladeiras em frente ao prédio, como um “presente” ao prefeito e deixaram claro seu recado com o grito: “Descongela a Cultura já!”

CONFIRA MAIS FOTOS DO ATO:

A RUA GRITA

Um Passinho à Frente, por favor.

Crônica por: Luis Cosme* Fotos: André Zuccolo, Julia Mente e Gil Silva João Doria não anda … Continuar lendo Um Passinho à Frente, por favor.