23 de março de 2017

Era o Hotel Cambridge: sobre luta por moradia, arquitetura e mídia

Filme narra a história da ocupação do Hotel Cambridge, no centro de São Paulo, e levanta discussão sobre movimentos, mídia e arquitetura


Por Patricia Iglecio
Fotos: Divulgação

“O filme humanizou o movimento”, é assim que Carmen da Silva Ferreira, liderança da Frente de Luta por Moradia (FLM) definiu a obra Era o Hotel Cambridge.

Durante evento da Escola da Cidade, faculdade de arquitetura que participou da produção do filme, Carmen, personagem protagonista, Carla Caffé e Eliane Caffé, irmãs que produziram a obra, contaram sobre o trabalho que fizeram em equipe.

O filme mistura ficção com realidade e se enquadra nos novos modelos de produção documental para trazer às telas a história da ocupação de moradia no Hotel Cambridge, no centro de São Paulo. Hoje, ocupado por 140 famílias organizadas pela FLM, o hotel é um exemplo de imóveis antigos e abandonados do centro que foram ocupados por movimentos.

Carmen Silva

A presença de Carmen arrepia, uma mulher extremamente articulada e forte, capaz de organizar a dinâmica de comunidade das famílias e ainda encorajar mais ocupações. A mistura de cenas reais com ficção trazem para o filme um grande poder de sensibilização, em que se colocam as questões individuais dos ocupantes em comunhão com o coletivo o tempo todo.

“O filme humanizou o movimento e fez com que nós conseguíssemos trabalhar em rede. Na questão dos refugiados dentro da ocupação, por exemplo”, diz Carmen. A diretora do filme Carla Caffé explica que, a princípio, a ideia era retratar a questão do refugiado no centro, porém ao investigar o tema entendeu que muitas das pessoas que vieram de outros países para o Brasil buscam ocupações de moradia.

No entanto, o filme também busca retratar a problemática do preconceito com imigrantes dentro do próprio movimento, com a discussão entre os próprios ocupantes em que alguns entendem que a precariedade que vivem os brasileiros não permite que acolham refugiados.

Ao mesmo tempo, a obra retrata a tentativa das lideranças em romper com essa ideia e, em dado momento, um congolense afirma que “todos ali são refugiados”, mas alguns dentro do seu próprio país.

Assim, ao mesmo tempo em que a convivência entre palestinos, haitianos e brasileiros que lutam por moradia consegue ultrapassar as fronteiras do preconceito, a xenofobia que esses grupos tem sofrido em todos os lugares do mundo é evidente.

O filme envolve o telespectador em uma atmosfera e de luta e transformação a todo momento. Apenas em um ambiente em que a luta cotidiana é capaz de politizar uma comunidade, é possível que as fronteiras da xenofobia sejam rompidas.

Cena do filme em que os ocupantes estão em assembleia

Carmen conta que, no início, recebeu a ideia do filme com rejeição, e para que o projeto cinematográfico fosse aceito pelo movimento foi necessário “bater de frente”. Hoje, ela entende a importância de unir os movimentos de moradia à produção da mídia independente como um instrumento de fortalecimento da luta.

“Esse filme fez com que a gente quebrasse tabus em relação às universidades e mídia independente. No abril vermelho, em que ocupamos uma série de imóveis ociosos, chamei toda a mídia, avisei os horários e quem eram os nossos alvos. A direção do movimento caiu em cima de mim, disse que eu seria responsável pela minha própria prisão”, conta.

Além disso, como a produção foi feita em parceria com estudantes de arquitetura, a líder do movimento também acrescenta a importância de unir as ocupações à arquitetura do local.

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