10 de março de 2017

‘Eu, trabalhadora periférica’: O 8 de março na quebrada

No dia internacional da luta das mulheres, coletivos do extremo sul se reúnem para ações localizadas


Por Patricia Iglecio
Fotos: Paula Serra

“A nossa própria existência contrapõe muitas coisas que acontecem da ponte pra lá”. Essa é a fala de Bia Oliveira, integrante do Coletivo Fala Guerreira, durante o ato das mulheres periféricas, no extremo sul de São Paulo, no dia 8 de março.

Organizado pelos coletivos Fala Guerreira e ComunaDeusa, o ato reuniu cerca de 50 mulheres, que ocuparam espaços públicos no Jardim Ângela, Vila Piraporinha e Capão Redondo. Com fantasias e adereços que caracterizavam profissões de mulheres periféricas, como empregada doméstica, cabeleireira e babá, fizeram uma performance em lugares movimentados, onde chamavam a atenção de quem passava com a repetição de frases e encenações dessas profissões.

“Eu, mulher periférica”, “Respeitem as mulheres”, “A cada onze minutos uma mulher é estuprada no Brasil”, “Treze mulheres são assassinadas por dia no Brasil”. As mulheres repetiram incansavelmente essas frases em um megafone e apreenderam a atenção da multidão transeunte.

Enquanto isso, outro grupo se ocupava em entregar panfletos com informações sobre centros de atendimento da mulher em situação de violência, na região do extremo sul. Bia explica que a troca de olhares e o contato com as trabalhadoras da região foi o que marcou a ação.

“No Jardim Ângela, conversamos com empregadas domésticas e elas foram receptivas. Isso nos marcou muito, porque nós somos daqui, esse é o chão que a gente pisa, na zona sul. Elas não eram mulheres desconhecidas, encontramos nossas amigas, vizinhas. São as nossas próprias histórias que estão nesse emaranhado”, relata Bia.

Além dos panfletos, as mulheres distribuíram um guia para trabalhadoras domésticas, elaborado pelo Observatório das Mulheres. No final da ação, as manifestantes se abraçaram e choraram.


#EuTrabalhadoraPeriférica
“Nosso lugar é aqui. As mulheres com quem a gente quer trocar ideia estão aqui. Então, a gente nem cogitou ir pro centro. Por isso não é uma contraposição de ir pro centro. Já tem algum tempo que estamos fazendo coisas aqui, no nosso espaço, no chão que a gente pisa, aqui na zona sul. Isso é o que importa de verdade, esse é o primeiro oito de março, mas essa não é a primeira ação”, afirma a militante.

Na Vila Piraporinha, o grupo realizou a ação em um praça, onde tiveram a oportunidade de conversar com muitas donas de casa. Na finalização do ato, na estação Capão Redondo, a movimetação estava muito grande, e muitas pessoas que saiam do trem paravam para observar a performance.

Ao final, as mulheres se juntaram em um grande circulo, onde cantaram, expressaram seus sentimentos, poesias e rimas.

Veja o registro fotográfico do ato


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