16 de março de 2017

VAI

Crônica: Jay Viegas / Ilustração: Pedro Pessanha

ESCREVE O QUE
TE PILHA, POESIA, HISTÓRIA, RIMA,
ESCREVE PELA AUTO-ESTIMA,
PRA ENTENDER TUA CONDIÇÃO DE FILHA,
TUAS ARMADILHAS E TUA FAMÍLIA.
ESCREVE O QUE VIER,
O QUE À LUZ DA VELA INSPIRA,
ESSA CIDADE QUE ME PIRA –
HOJE VI VIVI OREI OUVI SENTI,
ONZE MILHÕES DE IDEIAS,
ALGUMAS ATÉ ME LEMBRARAM DE TI.
ALGUMAS PARECIAM SER COISAS QUE
JÁ ENTENDI E OUTRAS EU NEM PERCEBI,
ATÉ PARECIA QUE EU NÃO ERA DAQUI.
A RIQUEZA SORRIU CONTENTE E EU ARDI
COM A IRONIA DA LUZ DO FLASH
QUE REGISTRAVA A INSÔNIA DA DESIGUALDADE,
A FOME, A NOSSA VERGONHA – A POBREZA É FEIA
PORQUE FAZ PARTE DA TEIA, PRISÃO DO QUE
NUTRE O SANGUE DA MINHA E DA TUA VEIA.
O DOCE GOSTO DO VINHO DA ÚLTIMA CEIA,
PRODUZIDO EM MASSA PARA A MASSA
ENVASADA EM ALGUM TIPO DE ESTEIRA
ENQUANTO TU OLHAVAS ESTRELAS
E BEBERICAVA BESTEIRAS,
TARDES OU VIDAS INTEIRAS,
TERÇAS OU SEXTAS-FEIRAS,
TANTO FAZ – QUAL FOI A ÚLTIMA VEZ
QUE TU PERDEU AS ESTRIBEIRAS?
SAI PRA RUA, VAI PRA NOITE, FICA NUA,
VISTE A LUA? NÃO DEU. SÓ VI A CHUVA, CAIU COMO UMA LUVA
E ESCORREU PELOS MEUS DEDOS
COMO NOSSO RIO DE ÁGUAS TURVAS,
NOSSO RIO QUE CORRE SEM CURVAS,
CERCADO POR ESCOLTAS ARMADAS COM DENTES
BRILHANTES E UNHAS SUJAS.


Esta crônica foi publicado originalmente na 6ª edição impressa da Revista Vaidapé. Confira mais matérias e leia a revista completa aqui.

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