29 de abril de 2017

Greve Geral paralisa São Paulo e enfrenta a repressão da PM


Comércios fechados, ônibus e metrô parados e diversas manifestações marcaram a Greve Geral contra as reformas Trabalhista e da Previdência em São Paulo


Por: Thiago Gabriel
Fotos: André Zuccolo e Carolina Piai

Mais de 70 mil pessoas, segundo organizadores, caminharam ontem do Largo da Batata até a residência do presidente Michel Temer, em São Paulo. O destino do ato foi cercado pela Polícia Militar, que reprimiu violentamente os manifestantes. Várias outras manifestações foram registradas na capital paulista, assim como em todo o Brasil. A Greve Geral parou todas as capitais do país e demonstrou a rejeição popular às reformas Trabalhista e da Previdência.

O dia 28 de abril se anunciava como uma data histórica para a luta trabalhadora no Brasil. Após mais de 20 anos, o país tentava organizar uma Greve Geral de serviços e, 100 anos depois, repetir a força daquela que é considerada a primeira paralisação geral do país, em 1917, em São Paulo.

Com essa expectativa, sindicatos, movimentos sociais e associações populares se organizaram para mobilizar os trabalhadores e trabalhadoras a cruzarem os braços em centenas de cidades pelo país. E funcionou. Em diversas capitais do país os relatos começavam a aparecer, já pela manhã, de comércios fechados, ruas vazias, transporte público paralisado e bloqueio de rodovias e avenidas.

O êxito da Greve Geral dessa sexta-feira demonstrou a reprovação popular às propostas de reforma Trabalhista e da Previdência propostas pelo governo de Michel Temer e em tramitação no Congresso Nacional.

Em São Paulo, os principais terminais de ônibus da cidade não abriram as portas para a saída dos coletivos. O metrô contou com o fechamento de quase todas as suas linhas, e as que operavam o faziam de forma parcial. Trens da CPTM também tiveram a circulação interrompida durante a maior parte do dia por conta da paralisação de seus funcionários. Escolas municipais, estaduais e uma boa parte dos colégios particulares também suspenderam as aulas nessa sexta. Bancários, servidores públicos e metalúrgicos também pararam contra as reformas.

 

O Sindicato de Metalúrgicos do ABC, organização que foi responsável pelas grandes greves da categoria no final dos anos 70, estimou a adesão à greve em 90% da categoria. Cinco das grandes montadoras – Volks, Ford, Mercedes-Benz, Scania e Toyota – não tiveram produção, de acordo com a entidade.

Embora o prefeito João Doria tenha anunciado a oferta de transporte grátis pelos aplicativos Uber e 99Taxis para servidores, a adesão de funcionários públicos foi grande. As empresas de transporte privado ainda afirmaram que foram surpreendidas pelo prefeito que teria anunciado a medida sem acordo com as mesmas. Para Doria, os milhares de trabalhadores e trabalhadoras que aderiram à greve na cidade são “vagabundos”.


Nas ruas da capital, apesar da projeção de trânsito caótico com a falta de transporte público e medidas como a suspensão do rodízio, da zona azul e a liberação do uso de faixas de ônibus, o tráfego registrou índices abaixo do esperado. Pelo contrário, quem cruzava a cidade durante a sexta-feira encontrava a cidade mais vazia e menos carros nas ruas, derrubando o discurso de que a parte da população que não depende de transporte público ficaria imobilizada, e de que as pessoas seriam impedidas de trabalhar.

Já pela manhã, por volta das 7h, algumas manifestações eram registradas na cidade. Na Radial Leste, seis pessoas foram presas depois da tentativa de bloquear a via, que foi prontamente reprimida pela Polícia Militar. Comunidades indígenas do Jaraguá, na zona norte, também realizaram protestos na via que dá acesso ao Pico do Jaraguá. A zona sul também registrou protestos e interdição de vias durante a manhã.

No início da tarde, motoqueiros fecharam por alguns minutos a avenida 23 de Maio. Por volta das 15h, movimentos autônomos e antifascistas se reuniram na Praça da Sé para sair em marcha pelo centro da cidade. Eles passaram pela manifestação de professores municipais, que já estavam em grande número em frente ao prédio da Prefeitura. Depois, seguiram o trajeto pela rua da Consolação, entoando gritos e marcando os muros da capital com frases como “Liberdade para Rafael Braga”.


Ao chegar na avenida Paulista, o grupo de anarquistas e autônomos cruzou com mais um grande protesto, da central CSP Conlutas, que marchava na principal via da cidade com carro de som, faixas pedindo a prisão de corruptos (inclusive o ex-presidente Lula) e contra as reformas do “golpista Michel Temer”. O bloco autônomo seguiu a Rebouças em direção ao Largo da Batata, onde se concentrava o maior número de manifestantes.

Por volta das 18h30, o grupo chegava ao Largo e fazia coro as 70 mil pessoas presentes na manifestação (segundo estimativa dos organizadores). Ali, na região de Pinheiros, os anarquistas se juntaram a representantes do movimentos das mulheres, movimento negro, LGBT, entidades estudantis, secundaristas autônomos, movimentos de moradia, centrais sindicais como a CUT, sindicatos de categorias e trabalhadores e manifestantes autônomos contrários às reformas. No carro de som, lideranças como Guilherme Boulos e Ivan Valente deram o tom dos discursos antes que o ato iniciasse o trajeto para a casa do presidente Michel Temer, no Alto de Pinheiros.


A manifestação caminhou reunindo milhares de pessoas que gritavam contra as reformas e o presidente ilegítimo. Ao chegar em frente à casa de Temer, a repressão policial teve início, e manifestantes montaram barricadas para impedir o avanço das tropas. A PM atirava balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio, enquanto os manifestantes que integravam a linha de frente das barricadas atiravam pedras nos policiais. O carro de som lamentava a repressão e anunciava o fim da manifestação, enquanto milhares de pessoas caminhavam de volta ao Largo, juntas, para evitar mais violência policial.

Quando os manifestantes que enfrentavam a Polícia começaram a realizar o trajeto de volta, a PM os seguiu lançando bombas e provocando receio de quem caminhava mais a frente. Durante o trajeto, agências bancárias foram depredadas. De volta ao Largo da Batata, mais repressão e as bombas não cessaram até as 22h, provocando transtornos e preocupação para transeuntes que caminhavam ou bebiam nos bares do Largo.


O governo de Michel Temer classificou os protestos que tomaram centenas de cidades e pararam todas as capitais do país como “pequenos grupos que bloquearam rodovias e avenidas”. Por mais que o governo tente deslegitimar a mobilização popular e a rejeição de grande parte da população às reformas, a Greve Geral deste dia 28 demonstrou a força da classe trabalhadora do Brasil e ampliou os horizontes de luta de movimentos sociais e sindicatos para atingir e reunir uma parcela cada vez mais diversa e significativa da população do país.

A RUA GRITA

Últimos 3 dias para ajudar: Cora Primavera vai às ruas!

Criado pela Cia. Nada Pensativo, peça Cora Primavera aborda questões como transfobia e violência contra … Continuar lendo Últimos 3 dias para ajudar: Cora Primavera vai às ruas!

A RUA GRITA

Volta Negra: um caminho da História de São Paulo

A caminhada acontecerá por pontos da cidade como a Praça da Liberdade, a estação Anhangabaú de Metrô e a Praça Antônio Prado. Até o século XIX, esses locais sediavam, respectivamente, a Forca, o Mercado de Escravos e a Igreja da Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.

A RUA GRITA

Entrevistamos a rapaziada que pixou o tradicional Beco do Batman

Os coletivos PIXOAÇÃO e ARDEPIXO pixaram o internacionalmente conhecido Beco Batman que abriga obras dos … Continuar lendo Entrevistamos a rapaziada que pixou o tradicional Beco do Batman

A RUA GRITA

MINI-DOC | “Sem Saldo”

Sem Saldo é mais do que um documentário feito por estudantes secundaristas de escolas públicas … Continuar lendo MINI-DOC | “Sem Saldo”

A RUA GRITA

Menos amor, por favor

Por: Tomás Spirandelli Duarte, do blog La Sinistra* Ilustração: Pedro Mirilli Fotos: André Zuccolo e … Continuar lendo Menos amor, por favor