17 de maio de 2017

Comunidade palestina protesta em SP data histórica de expulsão de suas terras


Manifestantes também se posicionaram contra manifestações crescentes de xenofobia pelo país


Por: Thiago Gabriel
Fotos: André Zuccolo

É provável que poucas pessoas no Brasil conheçam o significado que carrega o dia 15 de maio para a comunidade palestina em todo o mundo. Muito mais conhecido, no entanto, o dia anterior é lembrado como o nascimento do Estado de Israel, em 1948, pela significativa comunidade judaica na segunda maior colônia de judeus da América Latina (atrás da Argentina) e a 11ª maior do mundo. Embora o dia seja celebrado por muitos, ele é justamente a razão para que o povo palestino relembre e faça do 15 de maio um dia de luta e protestos.

A data é conhecida como Dia da Nakba, ou “dia da catástrofe” na tradução em português, e marca a limpeza étnica que foi levada a cabo após a criação de Israel, com a expulsão de aproximadamente 800.000 palestinos de suas casas. Atualmente, calcula-se que 5 milhões de palestinos vivem em campos de refugiados próximo a região de seu território originário. O conceito de refugiado é usado para caracterizar a população que vivia nas terras palestinas e foram expulsas para a criação de Israel.

Para relembrar os 69 anos da Nakba, palestinos e apoiadores se reuniram no último dia 15, em frente ao Theatro Municipal, no centro de São Paulo. Além da importância histórica, os manifestantes protestam pelo retorno dos palestinos às terras em que forma expulsos, e lembram a situação de 7 mil presos políticos palestinos, muitos em condições desumanas nas prisões israelenses. Entre os prisioneiros, 1.600 estão em greve de fome.

Os manifestantes protestavam também contra a xenofobia aos estrangeiros no Brasil e no mundo. No último dia 2, o grupo de extrema-direita Direita São Paulo realizou um ato na avenida Paulista contra a nova lei de imigração, aprovada pelo Senado e que aguarda sanção do presidente Michel Temer. Entre os gritos e faixas, manifestantes criticaram a “islamização” do país e chamaram muçulmanos de terroristas. Diante da reação de um grupo de pessoas – algumas imigrantes – que repudiavam o ato, os manifestantes promoveram linchamentos aos defensores dos imigrantes. Ao final da confusão, apenas pessoas favoráveis a Lei de Imigração foram detidas, apesar das imagens de agressão dos fascistas.

Nesse clima de intolerância, os palestinos que foram às ruas na Nakba tinham ainda mais motivos para se manifestar e afirmar sua existência e acesso a direitos no país. O ato transcorreu sem maiores problemas ou qualquer tipo de violência.

NAKBA

A região em que está localizado o conflito histórico pertenceu aos domnínios do do Império Otomano desde 1299. Com o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918, e a derrota da Turquia, o território foi dividido e invadido pelas potências vencedoras. A França colonizou as regiões que ficaram conhecidas como Líbano e a Síria; enquanto a Grã-Bretanha assumiu a Jordânia e a Palestina. Assim, foram criadas fronteiras autoritárias na região, separando famílias, etnias e culturas de forma arbitrária. Essa é conhecida como a primeira Nakba.

Mesmo com a dominação britânica, a região que se tornaria a Palestina era habitada pelo povo árabe, ocupantes históricos do território. Dentro da região, o Ocidente passou a patrocinar o já existente movimento sionista, que reivindicava o território de Jerusalém para a criação de um Estado judeu.

Após a Segunda Guerra Mundial, o território da Palestina foi concedido ao povo judeu pelas potências vitoriosas do Ocidente, que apoiaram a criação de um Estado governado pelos movimentos sionistas. A criação de Israel foi proclamada, inclusive pela recém criada ONU, como uma reparação ao povo judeu, perseguido durante o Holocausto. O que não deixa de ser verdade é também o interesse dessas potências mundiais em estabelecer zonas de influência no Oriente Médio, função que Israel representa até hoje, especialmente com relação aos Estados Unidos.

É a partir da lembrança destes episódios históricos – aqui citados de forma resumida – que o povo palestino não permite ao mundo esquecer o dia 15 de maio, a catástrofe que exilou de suas próprias terras centenas de milhares de pessoas em um processo que segue sem resolução e cria cada vez mais refugiados. Atualmente, organizações internacionais defendem a criação de dois Estados que coexistam, Israel e Palestina. Israel porém, não admite a existência do Estado palestino. As lideranças palestinas, por outro lado, exigem a reparação histórica de seu povo para aceitar qualquer acordo.

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