02 de maio de 2017

Da cheia a seca, um ensaio sobre o Norte e o Nordeste brasileiro

Ensaio de Frico Guimarães

Do Norte e Nordeste do país, quando se trata de olhar de fora e buscar conhecer, cansamos de ler apenas listas rasas e carregadas de esteriótipos feitas por empresas turísticas. Normalmente baseadas em uma curta vivência, e com referências romantizadas, dificilmente conseguem passar qualquer coisa que seja da essência deste pedaço de terra habitado por gente tão diversa.

Com meu olhar distante, quase como de outro continente, fugi das escolhas fácies e óbvias e me joguei na estrada. Fui ter-me ao desbravamento dessa terra por mim mesmo com um único e simples objetivo: ver pra crer. Por três meses correr légua por onde o caminho me levasse.


Filho de Marcos, plantador de macaxeira e mandioca nas redondezas do Rio Amazonas. Após feita a goma da tapioca, Marcos sobe o rio para vender o produto em Manaus. (Março,2017 – Amazonas)


Por do Sol no Rio Amazonas. (Março, 2017 – Amazonas)

Sem nenhuma pretensão resolvi conhecer a cultura e o ar que tão longe fica do sudoeste: minha casa tem outro aroma.

Garoto índio Huni Kuin, da aldeia de Altamira perto da vila de Jordão na fronteira com o Peru. Ele observava todos os conterrâneos da terra preparando uma festa para o nascimento do filho de Paña. Nas comemorações da festa brinca-se de tomar uma tigela inteira de caiçúma forte (fermentado de mandioca). (Março, 2017 – Acre).


Garotas Huni Kuin brincando de esconde esconde. Moram na vila de Jordão perto da fronteira do Acre com o Peru. Jordão é ponto de partida para conhecer as 32 tribos Huni Kuin que se espalham entre o rio Jordão e o Rio Tarawacá. (Março, 2017 – Acre)

Começando pelo Acre, na vila de Jordão perto da fronteira latino americana, fui ter-me junto aos Huni Kuin, tribo ancestral dividida entre o Brasil e o Peru. Segui então aos manauaras para descer o Rio Amazonas até Belém, parando caminho pra conhecer os artistas ribeirinhos de Alter do Chão.

Em Belém de costas à Baía do Guajará, há o Porto de Sal. Ponto de atraque de barcos pesqueiros onde marinheiros irão passar os dias costurando as grandes redes de pesca. Seu João é marinheiro das antigas e cuida de um galpão que serve de abrigo aos marinheiros enquanto ele mesmo faz o concerto dos barcos. João também é artista e utiliza as ferrugens dos barcos para fazer suas obras.


Porto de Sal, esquecido pela prefeitura é refúgio de marinheiros e metalúrgicos independentes da área. A lei é do Cão. (Abril, 2017 – Pará)


Metalúrgico independente da área do Porto de Sal em Belém. (Abril,2017 – Pará)


Alter do Chão. (Abril, 2017 – Pará)


Por do Sol em Alter do Chão. (Abril, 2017 – Pará)

Passado pela Roda de Carimbó paraense o destino era o Maranhão, onde fui acolhido pelos pescadores juntos ao tambor de crioula – infelizmente, era cedo para aproveitar o Bumba Boi, grande festejo de São João. Já em terras nordestinas segui litoral por Ceará, Paraiba, Pernambuco e Bahia, última parada antes de voltar às estradas paulistas.


Tambor de Crioula em São Luís. (Abril, 2017 – Maranhão)


Por do Sol em Jericoacoara. (Abril, 2017 – Ceará)

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