16 de maio de 2017

Lado M no Vaidapé na Rua: um bate-papo sobre igualdade de gênero e feminismo na internet


Portal criado em 2014 promove o debate sobre direitos das mulheres e já conta com cerca de 80 colaboradoras de todo o país


Por: Lauana Aparecida
Fotos: André Zuccolo, Marina Wang, Lucas Crispim e Duda Gulman

O programa Vaidapé na Rua do dia 6 de março, especial sobre o Dia Internacional da Mulher, recebeu nos estúdios da Rádio Cidadã FM, a comunitária do Butantã, as editoras do site Lado M. Ana Paula de Souza, Marcela de Carvalho e Mariana Miranda são responsáveis pelo portal, especializado na cobertura sobre direitos das mulheres e feminismo.

Ouça o programa completo no player

O site Lado M nasceu em 2014, a fim de promover o empoderamento feminino. Segundo Ana Paula, é importante que a mulher tenha um espaço de fala na sociedade. “É um conteúdo feito por mulheres e para mulheres também.” A jornalista ressalta que há dificuldade em encontrar um espaço onde as mulheres se sintam à vontade para falar, sem enfrentar qualquer julgamento ou discriminação.

No início, o portal tinha um caráter mais abrangente, com homens na produção de conteúdo. Com o passar do tempo, as integrantes tornaram o Lado M voltado exclusivamente ao público feminino e produzido apenas por mulheres, chegando hoje ao número de 80 colaboradoras de diversos estados.

“É um conteúdo feito por mulheres e para mulheres também.”

Um dos principais cuidados do grupo é com a representatividade. A atenção é redobrada em relação à propriedade e vivência das colaboradoras quanto a diferentes assuntos.

Formada em direito, Marcela destaca que cada colaboradora tem espaço para contribuir com o tema que mais lhe diz respeito. “Uma menina negra provavelmente vai falar de uma pauta sobre racismo. Eu, como estou acima do peso, vou falar sobre gordofobia. É um lugar para as pessoas se sentirem representadas e poderem falar sobre o que acontece no dia a dia delas.”

Mariana, que cursa o último ano de jornalismo, se juntou ao time no começo de 2015. Na época, se interessava por traçar perfis femininos, e logo foi convidada para encabeçar o projeto junto com Ana Paula e Marcela. Atualmente é responsável pelas parcerias do portal com editoras e distribuidoras de filmes.

“É um lugar para as pessoas se sentirem representadas e poderem falar sobre o que acontece no dia a dia delas.”

Precedendo o Dia Internacional da Mulher, as convidadas falaram sobre a campanha #NãoSouObrigada, lançada pelo Lado M no início de março, descrevendo diversos tipos de violência – física ou psicológica – contra a mulher. Alguns exemplos listados são o assédio sofrido pelas mulheres na rua, o medo constante da violência sexual, o machismo naturalizado nas atitudes diárias e a desigualdade no mercado de trabalho.

O manifesto da campanha também lembra o sentido comercial imposto à data no Brasil. “Muitas pessoas acreditam que o Dia Internacional da Mulher surgiu para aumentar a venda de flores ou de chocolates. Mas não é para isso”, ressalta Ana Paula. A jornalista lembra ainda que a homenagem nasceu fazendo menção à luta das mulheres na história.

“Muitas pessoas acreditam que o Dia Internacional da Mulher surgiu para aumentar a venda de flores ou de chocolates. Mas não é para isso”

As pautas do veículo são decididas em grupo, partindo de experiências pessoais ou de temas atuais. Há também uma preocupação durante o processo de publicação de textos no site. “Um relato pessoal pode ser transfóbico ou racista. A pessoa poderia até falar ‘ah, mas foi a minha experiência’, mas a gente não vai deixar passar porque pode ser ofensivo”, explica Marcela.

Mariana detalha que ultimamente o grupo têm buscado fugir de textos presos a desabafos. “A gente está tentando dar para nossa leitora uma ajuda maior. Talvez não chegue a ser uma solução, mas opções para ela.” No caso de um relacionamento abusivo, por exemplo, o público do Lado M encontra nos relatos de outras mulheres um apoio para enfrentar a situação.

Sobre o medo que muitas mulheres têm de se assumir “feministas”, Ana Paula associa aos estereótipos agressivos e pejorativos que se construíram em torno do movimento com o passar do tempo. “É necessário que haja igualdade não só por uma questão social, mas por uma questão econômica”, afirma.

Para acompanhar o trabalho do Lado M basta acessar o site do veículo para encontrar textos, vídeos, ensaios fotográficos e campanhas com a temática feminina, além de informações sobre comportamento, saúde, cultura, esporte e o cotidiano das mulheres.

Trilha Sonora

Sweet Lee – Comandando multidões

SNJ – Biografia Feminina

|  O Vaidapé na Rua é transmitido ao vivo toda segunda-feira, às 20h, pela Rádio Cidadã FM. Na região do Butantã, o público pode acompanhar o programa sintonizando 87,5 FM e, no mundo inteiro, através do site da rádio. Acompanhe também a transmissão #aovivo pela página da Vaidapé no Facebook

Música, debate e Vaidapé!

A RUA GRITA

Um Passinho à Frente, por favor.

Crônica por: Luis Cosme* Fotos: André Zuccolo, Julia Mente e Gil Silva João Doria não anda … Continuar lendo Um Passinho à Frente, por favor.