08 de maio de 2017

Marcha da Maconha legaliza SP com mais de 100 mil pessoas


A manifestação já faz parte do calendário de lutas da cidade e foi considerada pelos organizadores como o maior ato de desobediência civil da história do país.


Por: Thiago Gabriel
Fotos: Thiago Gabriel

A décima edição da Marcha da Maconha em São Paulo reuniu mais de 100 mil pessoas na avenida Paulista nesse sábado (6), segundo estimativa dos organizadores. Tradicionalmente a manifestação acontece no mês de maio que já é conhecido como “Maio Verde” pelos ativistas pela legalização da erva.

A Marcha aconteceu sem maiores transtornos com a Polícia Militar, que apenas fazia a segurança do ato no início e no fim da multidão de pessoas que tomava as ruas. Desde a histórica repressão contra o ato em 2011, os organizadores “desconvidam” a PM a aparecer na manifestação. Durante todo o trajeto, pessoas usavam a ganja livremente e não foi registrado nenhum caso de violência.

A Marcha teve início a partir das 14h20 no MASP e já contava com seus tradicionais blocos temáticos. Pessoas se reuniam em defesa da maconha medicinal, do cultivo, do bloco LGBT e do bloco feminista, com atuação destacada no evento. Na chegada da manifestação ao viaduto do Bixiga, duas grandes faixas foram estendidas pelas mulheres com os dizeres “Bucetas Ingovernáveis”. O coletivo Craco Resiste também marcou presença no ato, chamando a atenção para a legalização de outras drogas e o tratamento recebido pelos usuários de crack na cidade.

Um dos temas mais lembrados durante a manifestação foi a prisão de Rafael Braga. Um bloco pedindo a liberdade de Rafael foi organizado e marchou contra o encarceramento em massa da população preta e periférica no Brasil. Rafael Braga foi condenado a 11 anos de prisão pelo porte de 0,6g de maconha e 9g de cocaína, e se tornou um caso emblemático na luta contra a criminalização das drogas. O jovem, que é negro e era catador de latinhas nas ruas do Rio de Janeiro já havia sido o único manifestante condenado pelos protestos de Junho de 2013.

O ato neste ano seguiu trajeto diferente. Após a concentração no MASP, seguiu para o sentido Paraíso e desceu a avenida Brigadeiro Luís Antônio até a Praça da Sé, onde foi encerrado nas escadarias da Igreja. Por ali, manifestantes realizaram falas e intervenções e queimaram um boneco do ministro do STF Alexandre Moraes que, quando era ministro da justiça, fez propaganda cortando pés de maconha no Paraguai e afirmou que tinha como compromisso “erradicar a maconha no país”. Outros nomes lembrados pelos manifestantes foram o do prefeito de São Paulo João Doria, do governador Geraldo Alckmin e do presidente Michel Temer.

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