30 de maio de 2017

Nova denúncia de violência na Fundação CASA revela uso de material proibido por agente público


Agente da unidade localizada no complexo Raposo Tavares, na Zona Oeste, teria entrado com gás de pimenta escondido no fardamento


Por: Iuri Salles
Fotos: Reprodução

O Coletivo Autônomo Herzer, que atua junto com famílias de jovens presos nas Fundações Casa e oferece orientações nas filas de visita, trouxe nova denúncia de espancamento na unidade da CASA Cedro, que fica dentro do complexo Raposo Tavares.

A unidade tem um longo histórico de violações de Direitos Humanos e já foi denunciada em 2016 pela Organização dos Estados Americanos (OEA) por tortura. Em 2006, funcionários e ex-funcionários da unidade Raposo Tavares foram condenados, juntos, a mais de 925 anos de prisão, também pelo crime de tortura.

Fachada da CASA Cedro, dentro do Complexo Raposo Tavares.

Mães e parentes dos jovens internados na CASA Cedro afirmaram que na última visita, que ocorreu no dia 20 de maio, seus filhos relataram uma ação direta do Grupo de Apoio,  espécie de “tropa de choque” que atua dentro das Fundações CASA.

A ação teria resultado na agressão de diversos adolescentes. Os jovens dizem que o Grupo de Apoio entrou ás 04h da manhã para realizar uma revista na unidade e agrediram os internos, utilizando inclusive gás de pimenta.

Por lei, é proibido o uso de qualquer gás paralisante dentro da Fundação Casa. Jadir Pires de Borba, corregedor geral da Fundação Casa, afirmou que o agente que utilizou o gás está preventivamente afastado e fora do contato com os adolescentes. Segundo Jadir, o equipamento não faz parte do material do Grupo de Apoio e o agente entrou com o gás escondido no fardamento, revelando a gravidade da situação.

Foto: André Zuccolo

Em relação às denúncias de agressões, a Corregedoria da Fundação Casa alega que houve um confronto entre os agentes e um grupo de cerca de 30 jovens que, segundo eles, não queriam permitir a revista. Além disso, a Corregedoria afirmou que a entrada do grupo se deu ás 06h, antes do horário de aula.

Em entrevista ao programa de rádio #VaidapéNaRua, que foi ao ar pela Rádio Cidadã FM no dia 10 de abril, mães de alguns internos – que pediram para ter a identidade preservada – e um representante do Coletivo Herzer contaram como é a rotina na Cedro .”A própria diretora diz para os funcionários que os meninos tem que apanhar na cara!”, relata uma das mães.  

As denúncias vão além das agressões físicas. Tortura psicológica também faz parte das queixas: “O funcionário falou para o meu filho que ia entrar lá na calada da noite de toca ninja e poderia matar ele sem ninguém saber quem foi”, contou outra mãe presente no programa.

O complexo Raposo Tavares é composto pelas unidades CASA Ipê, CASA Cedro, CASA Nogueira, CASA Jatobá e CASA Nova Aroeira. Dentro de cada CASA existe uma forma de organização e disciplina. Muitas vezes o tratamento é quase primitivo, alegou uma ex-professora, que não quis se identificar, que atuou no complexo: “Algumas casas que eu já dei aula, como na CASA Nogueira, você não pode dar a mão pro aluno, não pode encostar no garoto”.

Hoje a Casa Cedro não tem mais permissão para ingressar novos jovens e está com menos da metade da capacidade ocupada. Ainda assim, as denúncias de violência e abuso continuam decorrentes e sistemáticas há pelos menos 17 anos, segundo levantamento do coletivo Herzer.

Segue abaixo nota do Coletivo Herzer sobre as denúncias realizadas por jovens e familiares dos internos da Casa Cedro.

Nota do coletivo Herzer na integra:

Familiares de jovens presos na Fundação CASA Cedro, localizada no Complexo da Raposo Tavares, em visita aos seus filhos neste último sábado (20 de maio), informaram ao Coletivo Autônomo Herzer que seus filhos sofreram diversas violências na segunda, dia 15 de maio, solicitando ajuda para divulgação.

Segundo as informações recebidas, o “Choque” entrou na unidade em plena madrugada (4h da manhã), agredindo diversos jovens, deixando-os somente de shorts no frio e, inclusive utilizando gás de pimenta nos rostos deles, material que é proibido nas unidades da Fundação CASA.

A informação dá conta de que entraram neste horário para fazer uma revista na unidade e pegarem os jovens de surpresa. Há informações de que a direção da unidade é totalmente omissa a todos os recentes casos de violência e que inclusive manda funcionários darem tapas na cara dos jovens presos; recentemente técnicas que atendem jovens da Cedro e que tinham boa relação com os jovens e com familiares foram transferidas para outras unidades.

A RUA GRITA

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