23 de maio de 2017

Samba da Elis integra e fomenta união feminina no Butantã


Projeto feito só por mulheres ocupa a praça Elis Regina e integra aulas e oficinas de samba para elas


Por: Alan Felipe
Fotos: Divulgação e Paloma Escarabote

Já incluído no calendário dos amantes do samba, o Samba da Elis, roda feita apenas por mulheres na praça Elis Regina, foi o tema do #VaidapéNaRua do dia 17 de abril. Organizadoras do projeto, que acontece todo terceiro domingo do mês, Cintia Nascimento e Jáfia Lacerda compareceram ao estúdio da Cidadã FM para falar sobre como o coletivo foi criado, quais as principais dificuldades do rolê e a presença do machismo no samba.

Escute o programa na íntegra:

O Samba da Elis não existiria da forma como é hoje se não fosse pelo Samba das Meninas. Formado por mulheres que não se viam representadas e que queriam aprender a tocar, elas decidiram organizar um espaço de ensino e samba. Desde então, a praça Elis Regina também recebe esse encontro no primeiro domingo de cada mês, das 15h às 20h.

Essa decisão surgiu de uma necessidade de todas diante do machismo presente em muitas rodas de samba. “A gente percebeu que precisava de um espaço pra mulherada que tava aprendendo poder vivenciar a roda de samba sem se sentir tão intimidada ou oprimida”, explica Cíntia, remetendo também a razão do surgimento do Samba da Elis.

Cíntia também revela a integração entre os dois projetos, que muitas vezes contam com público parecido: “Muitas mulheres vão no Samba das Meninas, que é no primeiro domingo do mês e vão no Samba da Elis, que é no terceiro, pra tocar.”, contou. “Ela vai ali no Samba da Elis, toca um pandeiro, depois ensina para outra mulher e aprende a tocar um tamborim, por exemplo”, detalha Jáfia sobre a dinâmica das parcerias.

No Samba da Elis, a roda é dividida em três partes: no começo, abre-se espaço para as mulheres que estão aprendendo a tocar e querem ter a vivência do samba, isso das 15h às 17h. O segundo momento, um pouco mais curto, tem apresentação de algum outro gênero musical ou expressão artística, como forró, hip-hop e baião. No terceiro momento, um grupo profissional, formado apenas por mulheres, ou majoritariamente feminino, fecha a noite com muito samba.

As parcerias no Butantã são várias. Vai do boteco do lado, que cede a energia e banheiro, até o Centro Cultural do Butantã (CCB), que abriga o samba nos dias de chuva. A Rádio Cidadã FM, que desempenha forte papel em encontros comunitários, empresta todo equipamento de som. Há também o Espaço D’Elas, pareceria muito importante que, segundo Cíntia, “cria mais uma possibilidade para desenvolvermos e discutirmos projetos entre mulheres.”

Em certo momento, houve a percepção de que ainda faltava mais olhar feminino nas letras de samba. Por isso, foi criada a Roda de Compositoras, uma oficina que acontece no Espaço D’Elas e soma na inclusão da mulher no samba. “A gente faz uma roda e começamos com mulheres que já compõe, explicando um pouco pras outras como é o processo de composição”, disse Jáfia.

Mesmo com as oficinas práticas e de composição, além de eventos de inserção da mulher na vivência do Samba, o machismo ainda se perpetua. “Geralmente uma roda de samba já é fechada, tanto para homem quanto para mulher. Mas a gente encontra uma dificuldade muito maior para as mulheres”, disse Jáfia, que completou: “Se tem uma roda rolando, chega um homem e as pessoas abrem espaço para ele. Mas, quando é pra mulher, a gente precisa mostrar que sabe tocar. A gente passa uns perrengues, mas a nossa força nunca vai acabar.”

Fique ligado na programação do Samba da Elis no Facebook. Compareça e curta um domingo de praça com muito samba, cerveja e espírito comunitário.

|  O Vaidapé na Rua é transmitido ao vivo toda segunda-feira, às 20h, pela Rádio Cidadã FM. Na região do Butantã, o público pode acompanhar o programa sintonizando 87,5 FM e, no mundo inteiro, através do site da rádio. Acompanhe também a transmissão #aovivo pela página da Vaidapé no Facebook

Música, debate e Vaidapé!

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