25 de junho de 2017

Documentário sobre o compositor João Silva estreia nos cinemas essa semana


O longa “Danado de Bom” conta a história de um dos maiores parceiros de Luiz Gonzaga e autor de mais de 3 mil canções.


Da Redação
Fotos: Divulgação

O longa-metragem “Danado de Bom”, grande vencedor do Cine PE 2016, com os prêmios de melhor filme, fotografia, montagem e edição de som, chega aos cinemas no dia 29 de junho. O filme dirigido por Deby Brennand mostra a trajetória de João Silva, parceiro constante de Luiz Gonzaga e um dos principais compositores brasileiros, autor de mais de 3 mil músicas.

Confira o trailer do filme:

Nascido em 1935 em Arcoverde, Pernambuco, João Silva mudou-se para o Rio de Janeiro com 17 anos. Compôs mais de 3 mil músicas e se tornou um dos principais parceiros de Luiz Gonzaga a partir dos anos 1960. Também trabalhou com outros nomes da música brasileira como João do Vale, Onildo Almeida, Pedro Maranguape, Zé Mocó,Dominguinhos, Sebastião Rodrigues e outros.

O compositor João Silva. (Foto: Divulgação)

Entre seus principais sucessos estão “A mulher do sanfoneiro”, “Danado de bom”, “Pagode russo”, “Nem se despediu de mim” e “Pra não morrer de tristeza”, que já teve cerca de 40 gravações. João Silva ainda produziu discos de Luiz Gonzaga, Trio Nordestino e Jackson do Pandeiro entre outros. Atuou também como arranjador antes de falecer em dezembro de 2013.

“Conheci a história de João Silva no início de 2007 quando Roberta Jansen, produtora cultural, me procurou para contar sobre o projeto. Ela havia descoberto João através de um pesquisador e de imediato eu fiquei encantada com a história desse parceiro tão importante de Gonzaga que estava no completo esquecimento”, conta a produtora do filme, Marianna Brennand Fortes. “O João tinha um desejo muito grande de ser reconhecido, de voltar para os palcos e reencontrar seu público”, afirma.

O documentário acompanha uma viagem de João de volta a Arcoverde, cidade onde nasceu, no agreste de Pernambuco. Ele relembra sua jornada, de menino andarilho, semianalfabeto, a compositor de sucessos como “Pagode Russo”, “Nem se despediu de mim” e “Danado de Bom”. “João Silva, além de ter sido um dos maiores autores parceiros de Gonzaga, foi produtor de seus discos de maior sucesso. Quando Gonzaga passava por um período difícil na carreira produziu o LP ‘Danado de Bom’. Foi a primeira vez que Gonzagão atingiu essa emblemática marca de um milhão de cópias vendidas”, conta Marianna.

Para ela, ficou claro desde o inicio do projeto a necessidade de promover um encontro de João com suas raízes. “Foi essa pesquisa, no sertão profundo, que nos apontou o caminho que o filme iria tomar.”

João Silva com a esquipe de filmagem na estrada para Olho D’agua. (Foto: Divulgação)

Em um momento posterior, foram escolhidos os entrevistados e o material de arquivo que iria compor o filme. “Fizemos com o pesquisador Antonio Venancio, um trabalho intenso de pesquisa de imagem e vídeo, juntando performances que foram sendo costuradas lindamente pela Jordana (Berg) para construir a história”, explica a produtora. Jordana Berg, montadora do filme, reforça que João era ao mesmo tempo delicado e bruto, sensível e arretado. “Sua língua inventada, de um nordeste em desaparecimento foi uma das riquezas que tentei preservar na montagem”, diz.

Dominguinhos, Trio Nordestino, Elba Ramalho, Mariana Aydar, Zeca Baleiro, Gilberto Gil e Lenine participam do filme com depoimentos ou em interpretações das músicas de João Silva, que faleceu antes de ver o documentário finalizado.

“É muito difícil lançar o filme sem a presença dele. Acredito que ele estaria emocionado, porque era o que ele queria, ser reconhecido como artista. Ele brincava muito comigo sobre isso”, lembra a diretora Deby Brennand.

A diretora do filme Deby Brennand. (Foto: Divulgação)

Para Deby, a importância do filme está em se tratar de um artista que o Brasil “conhece sem conhecer”. “É um recorte importante para o cinema e para a música nacional valorizar um artista que compôs mais de 3 mil músicas ao longo da vida, e que sabia como ninguém captar o sentimento do povo sertanejo transformando em letras belíssimas suas dores, suas alegrias, seu cotidiano”, conta. “Muitas pessoas conhecem as músicas de forró dos grandes intérpretes, mas desconhecem de onde vem a letra e, muitas vezes, os arranjos. Os que conhecem a música ‘Pagode Russo’, por exemplo, acham que a música e a letra são do Gonzaga”, completa a diretora.

“Danado de Bom” é uma coprodução entre Mariola Filmes e Inquietude, com direção de Deby Brennand. Marianna Brennand Fortes assina a produção do filme, assim como a produção executiva com Carolina Benevides, e Roberta Jansen é a produtora associada. Além da participação no Cine PE, o filme foi exibido nos festivais É Tudo Verdade, 8º IN-EDIT Brasil (Menção Honrosa do Juri), 9º Festival de Cinema de Triunfo (Melhor Longa-metragem da Mostra Competitiva Nacional e Melhor Trilha Sonora pelo Júri Popular)

LANÇAMENTO NOS CINEMAS E CIRCUITO AMPLIADO

O filme tem estreia marcada para o dia 29 de junho em cinemas do Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador, São Luiz e Porto Alegre. Entre os dias 22 e 28 de junho ocorrerão sessões especiais e exclusivas de pré-estreia no recém-inaugurado Cinema Rio Branco, em Arcoverde.

“Danado de Bom” também será lançado em circuito não comercial em outras cidades, em parceria com cineclubes, universidades, escolas, centros culturais e outros espaços.

Em São Paulo, contou com duas pré-estreias especiais no dias 24 e 25 no Centro de Tradições Nordestinas, Espaço Cabra Mix.

O filme está disponível para qualquer pessoa ou instituição que queira organizar uma exibição coletiva em seu espaço durante o período de lançamento, ou em outras datas, por meio da plataforma de distribuição alternativa Taturana Mobilização Social. Basta se cadastrar e agendar a sessão.

A Taturana é um negócio social que atua pela democratização do acesso ao cinema brasileiro, por meio de circuitos alternativos de exibição de filmes com mobilização social e fomento ao diálogo sobre temas sociais relevantes. A #RedeDeExibidoresTaturana é composta por escolas, coletivos, universidades, centros culturais, organizações sociais, cineclubes e equipamentos afins.

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