02 de junho de 2017

Movimento Rap se posiciona a favor das Diretas Já em show puxado pelo RZO em São Paulo


Realizado na Matilha Cultural, a festa contou com mais de 20 rappers de São Paulo que pediam eleições diretas.


Por Gil Reis
Fotos: André Zuccolo

O grupo RZO e o movimento Rap puxaram ontem um show manifesto na Matilha Cultural com um objetivo: Diretas já, com a saída do presidente Michel Temer e a realização de eleições diretas para presidente. Lotando as imediações da Rua Rego Freitas, no centro, o rolê foi 0800 e contou com a participação de mais de 20 artistas da cena, entre eles os rappers Sombra e DJ Cia; os grupos Haikaiss e Síntese; e o funkeiro MC Garden.

As possibilidades de novas eleições para presidente são reais, porém dependem de uma série de fatores, começando pela cassação da chapa Dilma/Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em julgamento que acontece no próximo dia 6. Outro caminho seria a aprovação da PEC 67/2016, já aprovada no último dia 31 na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ). Agora, a PEC segue para votações na Câmara e no Senado. Para Helião, do grupo RZO, “esse é um próximo passo, um pontapé inicial. Assim que começa. Amanhã todo mundo vai saber que a gente tá aqui gritando Diretas já!”.

De acordo com Helião, é importante que o Rap se posicione em um momento como esse, dando possibilidade para que novas mobilizações aconteçam. “É notório, vai abrir caminho para uma Paulista, uma São Joao, uma coisa grande. Aqui tão os excluídos, os cara que não são chamados pra nada, entendeu? É importante organizar essa parte do RAP”, explica.

O rapper ainda relaciona as medidas do governo com o atual cenário cultural e musical: “Nosso público é afetado diretamente por esse arrocho do sistema. Se nosso público não tiver bom, não vai comprar o CD original, não vai no show… Tem muito em jogo, desde as nossas crianças, até a rapaziada da periferia.”, explanou.

“Aqui tão os excluídos, os cara que não são chamados pra nada [de protestos], entendeu? É importante organizar essa parte do RAP”

 

Sombra, consagrado no grupo SNJ, que também se apresentou no rolê, diz que o momento é de se organizar. “Nada mais nada menos do que articulação social comunitária das grandes bases periféricas, ou seja, todas as zonas não centralizadas em São Paulo estão aqui, além das periferias que cercam a grande SP” explica, salientando que o movimento realizado na Matilha foi um primeiro ato de resistência. “Esse dia de hoje na Matilha é um dia que não é pra ser lembrado como celebração, é pra ser lembrado como um manifesto social cultural de ampla democracia, isso que a gente pensa e assim que se articula entre as pessoas.”, pontuou.

Com mais de 500 pessoas na Matilha e mais algumas do lado de fora, o show mostrou a força do Rap. Trouxe com ele um forte poder de manifestação, retratando a situação real da maioria dos brasileiros, gerando uma identificação instantânea do público com a música.

DJ CIA, que comanda as pick-ups do RZO há mais de 10 anos, diz que é preciso intensificar as manifestações: “É louco, mas é pouco. Na verdade, o RAP já fala tudo que tão falando aí na rua. As pessoas tampam os ouvidos, mas o RAP sempre falou. Se você pegar disco de 80 e 90, o texto do rap era isso: vamo se ligar, vamo batalhar pelos nossos direitos. É o que a galera tá gritando hoje na rua”, opina, deixando uma provocação: “E se tivessem ouvido o RAP? Agora a gente vai pra rua pra fortalecer mais ainda.”

“E se tivessem ouvido o RAP? Agora a gente vai pra rua pra fortalecer mais ainda.”

-DJ Cia

Alguns escutaram. Da nova geração vêm MC Garden, que traz na letra de seus funks, protestos contra a atual situação do Brasil. Curtindo os shows, que levaram mais de 500 pessoas na Matilha, o funkeiro aproveitou para saudar os parceiros do RAP. Segundo ele, manifestação e música sempre caminharam lado a lado: “Quando a gente fala do crescimento do Rap, tanto no Brasil quanto na gringa, foi através do manifesto e do protesto. O funk também. A gente ouve um funk de raiz, um Cidinho e Doca, traz um puta de um protesto!”. Garden ainda deixa o recado: “Acredito que a musica tem que se inserir no protesto, sem duvida, mas vai do artista, do publico também.”

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