03 de julho de 2017

30 de junho: Greve Geral e ato de skatistas sofrem repressão da PM em São Paulo


Foram ao menos quatro atos na região centro-oeste da cidade. Repressão policial e prisões arbitrárias começaram no início do dia.


Por: Gil Reis
Fotos: André Zuccolo

Na última sexta feira (30), a cidade de São Paulo teve paralisações e manifestações durante todo o dia. Foram ao menos quatro atos envolvendo as regiões do centro e da zona oeste, com greve geral em protesto às reformas do governo de Michel Temer, encontro do Bloco Autônomo na Sé e ato dos skatistas e ciclistas na Av. Paulista.

O dia começou tumultuado com a prisão de duas mulheres que atuam em movimentos de luta pela moradia em São Paulo. Em vídeo divulgado pela Ponte Jornalismo é possível ver o momento da abordagem. Enquanto tomavam café, as duas mulheres foram detidas por PM’s, que não justificaram a ação. Segundo o comandante responsável pela operação, elas foram chamadas apenas para “conversar”.

Ás 6h da manhã, funcionários e estudantes da USP se concentraram no portão I da universidade e fizeram paralisação contra as reformas trabalhista e previdenciária. Com participação do Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP), os manifestantes caminharam da Rua Alvarenga até a Av. Francisco Morato em percurso que durou cerca de 1h30.

No período da tarde, o Bloco Autônomo se reuniu às 14h na Sé e caminhou até a Av. Paulista, onde a Polícia agiu de maneira repressiva com os manifestantes. A corporação prendeu arbitrariamente pessoas que seguiam em direção à concentração de manifestantes que já ocupava a Paulista para o ato de apoio à Greve Geral dos trabalhadores.  Letícia, 22, que acompanhava a manifestação, disse que “eles foram levados sem justificativa. Também não falaram para onde iam levar, disseram só que era para o DP da região”, explicou.

Após as detenções, a Polícia dispersou os manifestantes na avenida com uso de gás de pimenta e balas de borracha. Ciclistas, que se reuniam para bicicletada, que rolou horas mais tarde, foram atingidos. Rafael Onorato, de 32 anos, estava lá para o encontro, mas foi atingido por gás de pimenta: “Levei spray na cara, por isso estou com o rosto branco”, disse.

O Bloco Autônomo se unificou com o ato da Greve Geral, e o grupo começou a descer a Consolação, em direção a Prefeitura, onde foram novamente reprimidos, dessa vez com uso de bombas de efeito moral e gás lacrimogênio.

UNIÃO

Após o deslocamento da Greve Geral para a Prefeitura, ciclistas que se preparavam para a habitual bicicletada pela Av. Paulista, se uniram aos organizadores do ato em repúdio ao que rolou no Go Skate Day SP, onde um motorista atropelou vários skatistas que desciam a rua Augusta, no último dia 25 de junho.

Organizados pelos próprios skatistas, o movimento foi autônomo e naturalmente contou com apoio dos ciclistas que já estavam reunidos para a bicicletada. Após negociações com a Polícia Militar, que queria definir trajetos diferentes para os grupos, eles conseguiram a união em parte do percurso.

Victor Hugo, skatista. (Foto: André Zuccolo)

Com 18 anos, Victor Hugo era um dos skatistas que tomaram a frente das conversas com a PM e com as mídias: “O pessoal sempre viu skatista como infrator da lei, tanto que já foi proibido andar de skate. Isso continua hoje em dia, porque tem certas mídias, como o MBL e a Globo, que cortam imagem para criminalizar”, desabafou. “Eu conversei com o tenente e falei que intenção era de passar uma mensagem. Ninguém vai quebrar nada aqui, a gente quer passar uma mensagem”.

Renata Falzoni, jornalista e cicloativista que atua há muito tempo em defesa da mobilidade urbana em São Paulo, valorizou a importância da união de quem está “fora do motor”. Ela também ressaltou o momento de agressividade sentido nas ruas: “Nós tivemos de janeiro a março um aumento de mais de 30% de mortes nas ruas. Só em março foi um aumento de 100% de mortes de ciclistas e nós tivemos um considerável aumento de pedestres que perderam a vida nos últimos 3 meses. Isso só fora das marginais!”, explicou.

“De janeiro a março, nós tivemos um aumento de mais de 30% de mortes nas ruas. Só em março foi um aumento de 100% de mortes de ciclistas”

Apesar de não existirem estudos oficiais correlacionando os aumentos de velocidade com o crescente número de acidentes fatais em São Paulo, Renata afirma que a intolerância dos motoristas está posta: “Existe uma intolerância de compartilhamento, existe todo um sistema que permite esse tipo de comportamento, que fica procurando um culpado e não faz uma mea-culpa. Nada está correto ali. No caso da Augusta, os skatistas hipoteticamente terem saído antes do horário não é justificativa para uma ação dessa. Isso não pode ser justificado como legitima defesa, nada justifica isso.”.

Renata também fez uma análise do momento do Brasil e das manifestações de 30 de junho: “A massa está menos na rua e não está tendo um debate. Não existe inteligência nessa polarização. Eu estou triste, mas ao mesmo tempo quando você vê as quadrilhas políticas sendo desmascarados, por um lado é bom. Desde que a gente consiga evoluir minimamente nosso país.”

“A massa está menos na rua e não está tendo um debate. Não existe inteligência nessa polarização.”

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