26 de julho de 2017

Cronistas da Rua fala sobre a cena do rap no Brasil e na sua terra, o Pará


Com carreira solo nas ruas e uma série de clipes recém lançados, o rapper paraense Dime Cronista foi o convidado do #VaidapeNaRua, na comunitária do Butantã.


Por: Alan Felipe
Fotos: Alexandre Marin

No dia 15 de maio o #VaidapéNaRua recebeu Dime, rapper paraense que fundou o grupo Cronistas da Rua e que falou nos estúdios da Cidadã FM sobre o seu sua carreira solo, o vídeo EP “9090”, as diferenças entre a cena do norte e do sudeste do país e muito mais.

Começo de carreira e Vídeo EP 9090

Dime começou a escrever por acaso. Antes de mergulhar no rap era pixador e grafiteiro e foi por causa disso que começou a fazer música. “Eu comecei a fazer grafite e, em determinado momento [em uma casa de cultura que grafitava], eu reencontrei um tio meu que era poeta, escritor, pá… e era um tio que a família sempre recriminava ele pela opção sexual dele”, explica o rapper. Em visitas recorrentes ao parente, o tio o incentivou a escrever letras de música.

Assim, foi acompanhar um amigo pixador que ia gravar uma música e que “deu calote no cara do estúdio. Aí, o mano do estúdio virou meu amigo, ligou no outro dia puto da vida, falando, ‘mano, você não quer fazer um rap? ’ Eu já tinha escrito um bagulho e ele falou, ‘cola ai que a gente vai mostrar pra esse moleque’”. Essa foi a primeira música de Dime, chamada “Exploda o Casoy”.

No final de 2015, o Cronistas da Rua lançou o EP “DDD 91”. Dime conta que, quando concluiu o trabalho, não ficou “tão satisfeito com a parada”. Pouco depois, seu parceiro no Cronistas da Rua saiu do grupo por diferenças ideológicas. “Aí eu me senti na obrigação de colocar algo maior, não em desrespeito ao mano, mas pra seguir de uma forma maior e mais real para o nosso trabalho”.

Vídeo EP 9090

O vídeo EP 9090 surgiu com a ideia de “resgatar o hip hop real em uma época que a gente tá vivendo de muito conflito interno” explica Dime. As influências musicais dentro do seu novo trabalho surgem das coisas que ouvia nas ruas de Belém. “Eu cresci, molequinho, em que uma parede tocava tecnobrega e na outra tocava forró. Em uma tocava música da gringa e na outra pagode. Belém é um caldeirão muito grande de música regional, então trazer essa brasilidade pro trabalho foi muito natural”. Ele lembra que o rap veio de fora, mas exalta que no Brasil tem o “o repente, tem o canto falado, tem muita coisa que a gente tá tentando colocar na música”.

O primeiro videoclipe lançado foi da música “Pixação Parte 2”, que gerou um outro videoclipe, da música “Avisa lá”. “Aí eu já pensei na ideia do vídeo EP, em que a gente conseguisse compilar cinco músicas e fazer todas essas músicas virarem clipe. Quando a gente conseguiu, os manos chegaram na ideia da gente fazer um mini-documentário sobre essa história toda”, contou Dime nos microfones da Cidadã.

Assista ao Mini Doc 9090:

Em SP

A primeira vez que Dime veio para São Paulo foi para participar do Estúdio Show Livre. O rapper conta que tinha o objetivo de ficar apenas um mês, mas pessoas que conheceu por aqui o fizeram estender sua passagem. “A primeira vez que eu vim pra São Paulo eu senti essa parada de [ser chamado de] baiano, mesmo vindo do norte. Mas acho que é tudo como você se coloca, é o empoderamento que tá rolando. Quando você chega firme e com ideias que você tem personalidade para bancar a parada, eu acho que não tem ninguém pra te tirar”.

“A primeira vez que eu vim pra São Paulo eu senti essa parada de [ser chamado de] baiano, mesmo vindo do norte. Mas acho que é tudo como você se coloca, é o empoderamento que tá rolando.”

Outro motivo decisivo na escolha da cidade para continuar a desenvolver o trabalho, segundo o rapper, foi a falta de recursos e visibilidade em sua cidade natal. “Belém é uma cidade linda e maravilhosa, mas ainda é muito fechada pra cultura do rap. A forma como eu comecei a trabalhar com o rap lá na cidade, eu não tava mais conseguindo gerir a parada porque eu não conseguia mais expandir. Então em São Paulo, por ter essa grandiosidade de há muito tempo estar trabalhando com o rap, foi onde eu encontrei essa inquietude de tá trabalhando todo dia ao ponto de começar de fato ter essa expansão do trabalho.”

O próximo passo de Dime é trabalhar na carreira solo. Ele já soltou a música Primatas com participação de Djonga e do músico Garoá e quer lançar um EP até o final do ano, com participação da canora paraense Dona Onete.

Mas o objetivo de Dime é “ficar nesse paralelo entre São Paulo e Belém. Acho que Belém é como se fosse a fonte e onde eu quero tá sempre lá, bebendo, tomando meu açaí, comendo meu peixe frito e vindo pra São Paulo pra causar e trazer a parte de cima do mapa bem forte e com esse clima quente que nós tem”.

Dime também lembrou durante o programa da cena de rap do norte e do nordeste. “Nos anos 90 a gente tinha o MBGC, tinha o Clã Nordestino, do Maranhão, que já tinha uma ascensão. Mas no rap o mercado era outro”. O rapper falou ainda sobre a música Sulicídio, lançada por Diomedes Chinaski e Baco Exu do Blues. “Eu não passo pano para forma lírica que foi feita em alguns pontos, mas acho que foi importante, acho que foi um momento importante. Os meninos chegaram com uma ideia forte, que era uma ideia que tinha que ser dita”.

Nos estúdios da Cidadã FM, Dime cantou “9090”, mandou um recado para o prefeito João Doria com “Pixação” e fechou o programa com “Somos um Só”

O Vaidapé na Rua é transmitido ao vivo toda segunda-feira, às 20h, pela Rádio Cidadã FM. Na região do Butantã, o público pode acompanhar o programa sintonizando 87,5 FM e, no mundo inteiro, através do site da rádio. Acompanhe também a transmissão #aovivo pela página da Vaidapé no Facebook

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