01 de agosto de 2017

Liberdade


Por: Pedro Alves
Fotos: André Zuccolo


Trinta e um de julho, teatro municipal de São Paulo
Seis da tarde
Lutamos por liberdade
Para Rafael Braga
Mais uma vítima da seletividade

De um sistema descendente de uma aristocracia escravocrata
Hoje burocrata
Numa mão seu martelo
Na outra sua caneta importada
Definem o futuro de quem nunca teve nada

Só na canetada, mata mais do que uma noite de rajada
E tem um sonho tranquilo
Sabem que livraram seu filho
Enquanto dos olhos de outra mãe
Retiram o brilho

Lutamos contra isso, era forte o brilho dentro de cada olhar
Uma chance de mudar
Mas sim, Rafael é importante
Igual a todos os outros
Lembrar do real motivo da luta é determinante de quem somos

Quantos por tão pouco, estão presos até antes
Condenados a grades
Quando não, assassinados pelos cães do Estado
Não vai ser com uma grade e nem com sete palmos de terra
Que vão limpar nosso sangue do seu passado

Nos prendem com flagrante forjado
Com a desculpa descabida
Que contra as drogas movem sua guerra
Declaradamente uma guerra perdida
Brancos, se fossem seus filhos, essa guerra ainda seria mantida?

Essa resposta é tão garantida, quanto o teor alcoólico da festa de seu filho
Finge que vai colocar a cidade nos trilhos
Acelerar? Só se for na arte de matar
Sempre aqueles que moram e morrem na rua
Maldito playboy, entenda que a cidade não é sua

E a realidade desse monte de concreto é dura
Crua
Como a carne dos desabrigados que morreram nesse frio
Estávamos em luta por um direito civil
Liberdade pro povo preto

Enquanto isso, o verme eleito voltava a praticar sua maldade
Na Cracolândia, mostrava sua crueldade
Tirando tudo, de quem não tem nada
No frio, que eu acabei de falar
Será que vocês conseguem se lembrar?

Mais uma vez, a guerra às drogas pra abafar um crime social
A prefeitura e seu pessoal
Armados pra fazer o mal
Mas veja só, se pensarem bem
Eles estariam do nosso lado também

Pois bem, chegamos e vimos um cenário de guerra
18 motos da rocam, 6 viaturas da rota, 10 carros da gcm
Bases móveis da PM
A mesma corporação que em outra ação
Martelou um jovem e o deixou no chão

Hoje poucos falam disso, constante
Mente a polícia, apaga seus rastros
Colocam a culpa na consequência
E por sequência não atacam a causa
Batalhão é escola de assassinos sem alma

Durante o ato, fizemos uma pausa
Pensamos na história
Nossa escravidão pra vocês já foi uma glória
Conquistamos a liberdade
Mas em pouco tempo deram um jeito de evitar nossa vitória

Código penal, que tornava crime nossa cultura
Acha estranho um jovem negro com medo de uma viatura?
É porque você é branco e não sabe o que são quatrocentos anos de ditadura
Dia trinta e um foi um dia de luta
Hoje dia um, é outro dia de luta

De quem tem a pele da cor da noite
Resistimos contra o açoite
Vencemos o capitão do mato
E pra quê?
Pra ver chegarem os capitães do concreto

Não importa seu cargo, seu dinheiro e nem seu poder de assinar um decreto
Vou te dar o papo reto
Lutamos por algo muito maior do que um direito
Lutamos por liberdade e entendemos bem este conceito

E você, que finge que não está entendendo
Vou tentar te explicar direito
Nós não temos nada
Então nessa batalha, só você pode sair perdendo
Vamos cobrar!

A RUA GRITA

ENSAIO | A volta da caça às bruxas

Por: Felipe Malavasi A manhã de ontem (7) foi conturbada em frente ao Sesc Pompeia, … Continuar lendo ENSAIO | A volta da caça às bruxas