25 de agosto de 2017

Quinto ato contra o corte do passe livre estudantil mostra resistência dos secundaristas em São Paulo


Realizado na Praça da Sé, ação foi organizada por secundaristas autônomos e movimentos sociais em defesa da educação


Por Luiza César e Gil Reis
Fotos: Isabela Alves

A noite de quinta feira (24) começou inspiradora. Centenas de estudantes e movimentos sociais, que se reuniram de forma independente e autônoma, estavam na praça da Sé onde ocorreu o 5° ato contra o corte do passe livre estudantil.

Logo de saída, realizaram um ato simbólico em defesa da liberdade de Rafael Braga, onde todos portavam Pinho Sol, produto que justificou a primeira prisão de Rafael, hoje condenado à 11 anos por porte de pequenas quantidades de drogas.

O corte no passe reduziu a possibilidade dos estudantes de realizarem 8 viagens em 24 horas, para apenas 4 viagens com duas cotas de 2h. Imposto a partir da publicação de decreto no Diário Oficial, a redução entrou em vigor no final de junho deste ano.

Os principais afetados são os jovens e as famílias que moram nas periferias da cidade. Para Maria*, que está no Ensino Médio em uma escola estadual, “os estudantes que fazem curso técnico e que procuram emprego, estão tendo que pagar a cota integral, porque já usaram toda a cota no mês”, explicou, afirmando não querer se identificar para garantir sua própria segurança.

Segundo Maria*, o impacto real que isso gera nas famílias dos estudantes se justifica diretamente no orçamento: “Isso tem um impacto de no mínimo 80 reais mensais, só contando as passagens de ida e volta. Para quem vive de um salário mínimo para a família inteira, atinge bastante”, enfatizou, lembrando também que muitos estudantes levam mais que 2 horas só para ir à escola.

Estudante de E.M da ETEC Uirapuru, localizada na Zona Oeste de SP, Luan Lima, de 16 anos, tem uma situação ainda mais agravante e que exemplifica a situação de muitos secundaristas: “Lá eles modificaram o horário da escola inteira!”, exclamou. “Muitos estão com problema de faltas e eles não procuram saber porque. Além disso, lá é uma ETEC de quebrada e não é seguro a gente sair no horário que está saindo”, completou, mostrando que a segurança dos jovens também é um aspecto ignorado pelo Estado.

Até a realização do quinto ato, a Prefeitura ainda não havia se manifestado, mantendo uma postura que não busca o diálogo com os estudantes. Para Maria*, “o prefeito está em silêncio porque tá com medo da força que o movimento vem tomando!”.

Uma das promessas de campanha de João Doria foi o congelamento das tarifas dos transportes públicos em São Paulo. Além dos cortes no passe livre, Doria, em parceria com o Governo do Estado, aumentou o valor da integração metrô-ônibus-trem, afetando todos os trabalhadores do município.

A luta contra o aumento de passagens e cortes no transporte, que é muito potente em São Paulo, ganha força em Goiânia, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Mogi das Cruzes, mostrando que a pauta está diretamente ligada à vida e permanência estudantil de milhares de secundaristas brasileiros.

Chegando ao seu final, o ato foi surpreendido pela PM, mostrando que quando o Estado age, é com truculência. Na volta para casa, a polícia parou o ônibus onde estavam alguns estudantes, que gravaram tudo em vídeo. Secundaristas foram tirados à força do coletivo, com o uso excessivo de violência.

Dois manifestantes foram detidos e outros tantos enquadrados pela PM que, segundo relatos, utilizou homens para revista das mulheres, ação proibida e prevista no artigo 224 do Código de Processo Penal.

No próximo sábado (26/08), às 15 horas vai acontecer a Assembleia Geral dos Estudantes em Luta, na Ação Educativa, com objetivo de dar diretrizes e definições para os próximos passos da luta.

Maria* é um nome fictício. A estudante não quis se identificar por questões de segurança.

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